- Research Article
- 10.36026/rpgeo.v7i2.6034
- Nov 3, 2020
- Revista Presença Geográfica
- Julien Marius Reis Thevenin + 2 more
A relação que os grupos sociais estabelecem com a natureza está permeada pelos sistemas de representações e ideias, principalmente, os religiosos e filosóficos. Contudo, a trajetória percorrida pela sociedade urbano-industrial, baseada no lucro, tem conduzido a sérios problemas ambientais, dentre eles o desflorestamento da Amazônia. É na busca por relações que atribuam valores não econômicos à natureza que se inicia este artigo, que analisa a relação entre a percepção do sagrado na natureza e uma ética ambiental associada a comportamentos pró-ecológicos. A pesquisa foi desenvolvida a partir de levantamento bibliográfico-documental, observações diretas, anotações e entrevistas semiestruturadas dirigida aos integrantes de três centros Daimistas, de um centro da Barquinha, e de vinte sete sedes locais da União do Vegetal, religiões que fazem o uso ritual do chá da Ayahuasca no Estado de Rondônia/Brasil. Os resultados mostraram que, na medida em que o indivíduo, de forma espontânea, reconhece o sagrado na natureza, amplia paralelamente e gradualmente a sua consciência ambiental e a sua postura ética perante o meio ambiente. Contudo, nas religiões analisadas, essas atitudes não dependem unicamente dos adeptos que chegam, já que alguns desses não demonstram ter um comportamento ecológico, mas, principalmente, de diversos arranjos institucionais estabelecidos que direcionam as práticas dos mesmos na gestão sustentável de seus territórios.
- Research Article
- 10.36026/rpgeo.v7i2.5602
- Nov 3, 2020
- Revista Presença Geográfica
- Francisco Marquelino Santana
Resumo: A pesquisa que resultou na produção deste artigo é desfecho de uma vivência de mais de quinze anos deste pesquisador no vale do rio Mamu – Departamento de Pando – Bolívia, e traz como produto desta investigação as encantarias míticas da Mãe-d’água brasiviana. O lugar da Mãe-d’água brasiviana e as crendices da coletividade ribeirinha neste ser mitológico, surge como uma devoção cosmogônica, originalmente entrelaçada à poética, às emoções e ao bem viver. O conceito “brasiviano” é aqui tratado em referência aos remanescentes de seringueiros brasileiros que nasceram nos seringais do rio Mamu, desde o advento dos dois grandes surtos da borracha na Pan – Amazônia brasileiro – boliviana.Palavras – chave: Seringais da Amazônia boliviana; Mitologia brasiviana; Emoções e bem viver.
- Research Article
- 10.36026/rpgeo.v7i2.5610
- Nov 3, 2020
- Revista Presença Geográfica
- Danúbia Zanotelli Soares + 1 more
O presente artigo objetiva apresentar os resultados da pesquisa intitulada “O lugar do Medo: Violência Sexual Contra Meninas Sob o Olhar Geográfico”, realizada entre os anos de 2018 e 2019 através/pela Universidade Federal de Rondônia- UNIR, para obtenção de título de mestra em geografia. Na perspectiva da geografia de gênero, com uso do método fenomenológico baseado na obra “A poética do Espaço” de Gaston Bachelard (1993), e por meio das técnicas de revisões bibliográficas, entrevistas e produções de mapas mentais, foi possível analisar o crime de violência sexual incestuoso ou intrafamiliar contra crianças e adolescentes do gênero feminino, o lugar onde os abusos ocorriam, a relação de proximidade ou grau de parentesco entre as vitimas e abusador (es), as consequências para o convívio social resultantes desse processo e o “continuum” de violências perpetrados contra as vítimas, concomitante aos abusos sexuais ou em momentos posteriores as violações. Meninas constituem a maior parte das vítimas nesse tipo de crime, diretamente ligado ao patriarcado, realizado sob atos de violências, opressões e ausências. A maior parte dos abusadores são os padrastos, pais, avôs, irmãos, tios e/ou pessoas que tem acesso ao lugar de habitação das vítimas, o que consequentemente desmonta a ideia da casa como lugar seguro à vida e ao desenvolvimento humano, ao mesmo tempo em que evidencia as relações díspares no lugar vivido entre a vítima e o abusador.
- Research Article
- 10.36026/rpgeo.v7i2.6028
- Nov 3, 2020
- Revista Presença Geográfica
- Telma Ferreira Da Silva
O presente estudo inicia a partir de análises documentais disponibilizadas pela delegacia da unidade de polícia civil e ainda na casa de apoio Noeli dos Santos, a pesquisa é sobre a violência doméstica comjovens entre 18 a 24 anos no Município de Ariquemes- Rondônia, foi realizada com abordagem qualitativa, onde se utilizou de fontes bibliográficas, análises documentais de boletim de ocorrência registrados nos anos de 2016 e 2017, além de ficha de atendimento à mulher vítima de violência no município. Os procedimentos metodológicos utilizado para auxiliar nas análises foi o da pesquisa qualitativa com abordagem na fenomenologia, optando-se pela tipologia de escrita descritiva e explicativa. Esses procedimentos conduziram para que o tema pudesse ser desenvolvido, a partir de recortes de gênero pautado nos conceitos da geografia cultural. O objetivo consiste em entender os fatores que desencadeiam a violênciasofrida por jovens mulheres de 18 a 24 e se estes fatores se correlacionam com a impunidade dos infratores, muitas vezes agravadas em decorrência da não aplicabilidade da Lei Maria da Penha nº 11.340 de 2006.O resultado aponta para o entendimento de que houve uma diminuição no número de ocorrências registradas, comparando entre os dois anos da pesquisa, possivelmente, isso se deve ao rigor aplicado a Lei Maria da Penha na punição dos agressores.
- Research Article
- 10.36026/rpgeo.v7i2.5587
- Nov 3, 2020
- Revista Presença Geográfica
- Deborah Monteiro Dos Santos + 4 more
O Estado de Rondônia apresenta uma imensa diversidade de povos originários do Brasil que mantém vivas as suas culturas, línguas e organizações sociais. Destes povos, as mulheres que fazem parte dos grupos que não se encontram em isolamento voluntário, são vinculadas à Associação de Guerreiras Indígenas de Rondônia (AGIR), primeira organização com caráter exclusivamente feminino e indígena do estado. Para este artigo, entrevistamos duas lideranças femininas indígenas durante a IV Assembleia Ordinária da AGIR, o que nos permitiu notar diferenças entre as realidade dos povos indígenas. A primeira entrevistada é de uma terra demarcada que possui lideranças femininas (cacicas); a terra Kaxarari. E a segunda entrevistada é de Porto Murtinho, considerado um território tradicional não demarcado como terra indígena; comandado por homens. Assim, para este trabalho, traçamos uma perspectiva de gênero a respeito da organização territorial e representação dentro de dois territórios com realidades distintas através da fala de suas lideranças femininas.
- Research Article
- 10.36026/rpgeo.v7i2.5605
- Nov 3, 2020
- Revista Presença Geográfica
- Reginaldo Conceição Da Silva + 3 more
O presente artigo objetiva apresentar breve cenário das religiões afro-amazônicas no contexto amazônico no sentido de indicar características quando relacionada às práticas culturais, espirituais e sociais tais como: a pajelança indígena e cabocla muito forte ainda na região e que influencia, assim como é influenciada pela religiosidade afro-amazônica. Nesse sentido, buscou-se tecer abordagens acerca das comunidades de terreiro voltado para o culto dos caboclos e sua interinfluência na memória - tanto africanas como indígenas e sua contribuição para o bem-viver na Amazônia. Para tanto, se retrata entre as duas práticas de sagrado na sua inter-relação com a natureza, com a ambiência amazônica; as relações espirituais, cosmológicas, naturais, sociais e culturais instaladas e que geram rebatimentos no sentido de se estabelecer o ato de um bem-viver. A opção metodológica foi à pesquisa etnográfica a partir das vivências e práticas dos autores, uma vez que, expressam as ancoragens a partir do duplo modo de vida: como acadêmicos e adeptos das comunidades de terreiro. De onde se pode considerar que as práticas espirituais, sociais e culturais dos povos originários africanos e indígenas podem contribuir de maneira expressiva para a conquista da qualidade de vida na Amazônia, seja do ponto de vista da saúde, da relação com o meio ambiente e, sobretudo, intensificando o conhecimento da ancestralidade na construção de uma nova possibilidade de vida na região, mesmo com problemas oriundos de um modelo de desenvolvimento – esse pautado no modo de produção que a cada dia intensifica os problemas culturais e suas respectivas ordens sociais.
- Research Article
- 10.36026/rpgeo.v7i2.5531
- Nov 3, 2020
- Revista Presença Geográfica
- Joadir Luiz De Lima + 1 more
Criado pela lei complementar 41/1981, Rondônia tem um papel fundamental no desenvolvimento da região Norte. O objetivo do trabalho, neste contexto, é analisar a produção de borracha natural no período de 2007 a 2018, e as políticas públicas de incentivos para os produtores de borracha natural. O artigo não pretende esgotar a discussão sobre os modelos de ocupação/exploração da floresta Amazônica. Os métodos de análises de dados ocorreram por meio de revisões bibliográficas e instituições públicas e privadas tais como IBGE, Associações/Cooperativas; o embasamento teórico se fundamenta nos conceitos de espaço. Utilizamos abordagens quali-quantitativas, em que se constatou durante os estudos a ausência de políticas públicas e o principal motivo para não produzir borrachas, mediante aos arranjos institucionais estatal e privado, que é de suma importância na efetivação de um modelo de desenvolvimento sustentável e a produção de borracha natural que se configura como uma alternativa econômica para o segmento extrativista.
- Research Article
- 10.36026/rpgeo.v7i2.5590
- Nov 3, 2020
- Revista Presença Geográfica
- Rachel Dourado Da Silva
O ser humano, através de seu desenvolvimento como ser social, tem manifestado sua ligação com a natureza através da espiritualidade, que se manifesta em suas práticas religiosas ou religiosidades. Alguns filósofos, antropólogos e cientistas sociais o definem como homo religiosus. Isto se baseia na consciência da impossibilidade de se fundar e permear a criação em alguém ou algo superior. No desenvolvimento histórico das civilizações humanas, a ligação com o(s) ser(es) supremo(s) tem influenciado a organização social e cultural das populações, bem como dos territórios. É por isso que é importante entrar em uma discussão sobre a conformação institucional das crenças e sua diferenciação das devoções populares, particularmente a noção de doutrina cristã católica romana e como o processo histórico desta conformação institucional origina devoções a santos e relíquias que definem as ações, práticas e crenças das populações no contexto da modernidade.
- Research Article
- 10.36026/rpgeo.v7i2.5599
- Nov 3, 2020
- Revista Presença Geográfica
- Marcela Arantes Ribeiro + 1 more
Este texto é uma releitura da dissertação de mestrado realizada de 2008 a 2010 e vinculada ao Grupo de Pesquisa GepCultura. Apresenta como objetivo fazer uma leitura geográfica do lugar ribeirinho em três localidades a margem do rio Madeira, enfatizando as representações e simbolismos culturais característicos do espaço Amazônico. A fundamentação teórica está respaldada nos pressupostos da Geografia Cultural e teóricos da antropologia e da sociologia, o que possibilita pensar as relações entre o ribeirinho com seu lugar marcado pela presença do rio e da mata. Os procedimentos metodológicos fundamentam-se na concepção da História Oral inter-relacionada com a proposta do Espaço Vivido. A pesquisa demonstrou uma outra forma de compreender o lugar do ribeirinho com relações subjetivas e representativas que caracterizando as populações tradicionais na Amazônia.
- Research Article
- 10.36026/rpgeo.v7i2.5578
- Nov 3, 2020
- Revista Presença Geográfica
- Suzanna Dourado Da Silva
O presente artigo busca reverberar as vozes das mulheres que lutam, sendo este um compromisso assumido enquanto participante do II Encontro Internacional de Mulheres que Lutam, no Caracol Morelia, Altamirano, Chiapas-México. Frente à necessidade de compartilhar com todas as mulheres que lutam, exprimem-se aqui todas as vivências, experiências, percepções e emoções sentidas pelo período de 26 a 29 de dezembro de 2019. Para conseguir captar a essência do que se mostra, utilizou-se como método o fenomenológico, com a abordagem empática de Edith Stein (1917), compreendendo as relações intersubjetivas estabelecidas entre o eu e a outra. Todavia, fez-se necessário utilizar ferramentas metodológicas como: diário de campo, registro fotográfico, depoimentos e entrevistas para estreitar as relações e compreensões. Percebe-se o quão significativo tornou-se o encontro em um processo de cura interior, por meio do compartilhamento de vivências subjetivas e que se tornaram experiências de cura e fortalecimento.