Abstract

Escutar vozes ainda é considerado por profissionais da saúde como alucinação auditiva, uma experiência perturbadora que ocorre em condições de doença, reconhecida como uma sintomatologia psicopatológica de alteração da realidade. Entretanto, esta postura dificulta o acolhimento da pessoa que vivencia este fenômeno. O objetivo deste estudo foi de conhecer na literatura científica sobre a experiência e a representação da escuta de vozes na expressão cotidiana. O método utilizado foi de revisão narrativa, em fontes pesquisadas em periódicos. Encontramos 30 artigos em português e inglês, no período de 2003 a 2018, utilizando os descritores saúde mental, esquizofrenia, ouvidores de vozes e cotidiano. Os dados foram organizados em uma planilha temática e analisados com foco na narrativa da linguagem e apresentados descritivamente. A literatura estudada apresentou dois tipos de representação da escuta de vozes: a caracterização e tipologia da vivência, e como processo subjetivo de uma experiência biográfica. Entre os resultados identificamos a caracterização da experiência de ouvir vozes associada a vivências traumáticas e com consequências nas atividades laborativas, como o trabalho e a vida social, com um cotidiano ausente de papéis ocupacionais, reconhecendo esta pessoa apenas pela sua condição de doença mental. Ressaltamos a necessidade de estudos empíricos que abordem a compreensão da escuta de vozes, com foco fenomenológico da experiência do mundo da vida das pessoas, para a compreensão do reconhecimento no cotidiano de papéis ocupacionais, como também auxiliar nas práticas terapêuticas no cuidado em saúde mental.
 Palavras Chaves: Ouvidores de vozes; esquizofrenia; cotidiano.

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