- Research Article
- 10.12957/cdf.2025.95820
- Dec 22, 2025
- Cadernos do Desenvolvimento Fluminense
- Bruno Borja + 2 more
- Research Article
- 10.12957/cdf.2025.94660
- Dec 19, 2025
- Cadernos do Desenvolvimento Fluminense
- Renata Melo
Este artigo apresenta um relato etnográfico de uma sessão de cineclube em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. A região, descrita como periférica em diversas representações, possui uma intensa cena cineclubista desde a primeira década dos anos 2000, impulsionada por um conjunto de mudanças nos rumos políticos e sociais do Brasil. Desde então, seus produtores audiovisuais vêm possibilitando a circulação de uma grande variedade de obras audiovisuais que geralmente estão fora do circuito comercial de cinema e discutem temas como gênero, raça e cidade. O objetivo é refletir sobre as formas de exibição dessa cena, pensando como ela articula diferentes linguagens e intervenções artísticas (teatro, poesia, música, entre outras). Busca-se analisar como integrantes desse movimento refletem sobre outras cenas culturais e territorialidades, transformando-as em matéria-prima para suas produções e exibições em cineclubes. O trabalho procura evidenciar os vínculos que o audiovisual pode promover, ao convidar o público a elaborações coletivas que se manifestam em formas celebratórias de fazer e assistir conteúdos audiovisuais. Argumenta-se que para compreensão desse processo é preciso deixar-se afetar pelo que é descrito como “mágico” nos cineclubes, dedicando atenção não apenas aos filmes, mas principalmente às relações construídas a partir deles.
- Research Article
- 10.12957/cdf.2025.93927
- Dec 19, 2025
- Cadernos do Desenvolvimento Fluminense
- Cíntia Lima
Essa pesquisa foi elaborada para falar sobre o cinema feito na periferia pelo coletivo BaixadaCine, da Baixada Fluminense, mais especificamente, em Belford Roxo. Cidade com população estimada em 510.906 pessoas e com 78.985 km² de território segundo IBGE, é a maior cidade do Brasil e não tem nenhuma sala de cinema. E para falar sobre esse tema trabalho conceitos como identidade, memória, território, interseccionalidade e feminismo negro. O coletivo é composto de maioria preta e LGBTQIA+, residentes na região da Baixada Fluminense que movimentam a cena cinematográfica local, seja produzindo filmes ou seja ensinando através das oficinas ministradas e distribuindo através do cineclube. É visível a importância de um coletivo como o BaixadaCine numa cidade periférica como Belford Roxo, uma equipe diversa em funções, territórios e condições sociais, com conhecimento de território, com metodologia própria, com produtos cinematográficos originais e muita experiência com baixos orçamentos, isso é bem característico do cinema independente feito pelo coletivo. Essa pesquisa também mostra como a luta da periferia para sobreviver ao caos urbano é feita através de olhos, principalmente, olhos negros e femininos.
- Research Article
- 10.12957/cdf.2025.94666
- Dec 19, 2025
- Cadernos do Desenvolvimento Fluminense
- João Luiz Guerreiro Mendes
A ênfase midiática sobre a Baixada Fluminense (RJ) como um local de miséria e violência fortalece o olhar do senso comum sobre as vulnerabilidades intrínsecas às áreas periféricas. Diferente dos discursos da imprensa sobre e em nome dos moradores da região, o artigo apresenta resultados parciais de uma pesquisa com grupos e coletivos culturais a partir da autorrepresentação dos grupos. Tendo como metodologia a conversa e a narrativa, as fazedoras e fazedores culturais da região apresentam sua percepção acerca do espaço onde vivem, do fazer cultural que o caracteriza, das suas experimentações de mundo, dos locais de memória e resistência, além dos silenciamentos que a Baixada Fluminense enfrenta. Com base nessas informações, foi observado de que forma as ações culturais existentes nessa região periférica contribuem para a transformação do local e dos indivíduos que nele residem, apresentando-os as novas possibilidades que se abrem a partir da criatividade, da ação e da reflexão.
- Research Article
- 10.12957/cdf.2025.91218
- Dec 19, 2025
- Cadernos do Desenvolvimento Fluminense
- Joseane Souza + 3 more
A erradicação da pobreza extrema perpassa todas as pessoas, em todos os lugares. O seu processo de redução é uma agenda fundamental tanto no que diz respeito a esfera nacional como também a importantes agendas internacionais, como é o caso da Agenda 2030 em que a primeira meta do 1º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, a meta 1.1, prevê até 2030, erradicar a pobreza extrema para todas as pessoas em todos os lugares, atualmente medida como pessoas vivendo com menos de US$ 1,25 por dia. Tendo em vista, que a pobreza é, em geral, mais intensa entre habitantes do meio rural do que no meio urbano, este artigo tem como objetivo analisar o nível de pobreza rural no Estado do Rio de Janeiro, caracterizando o perfil socioeconômico desta população. Para tanto foram utilizados os microdados da PnadC (2023) e adotados os seguintes parâmetros: (i) renda domiciliar per capita inferior a R$ 208,42, para a linha de extrema pobreza e (ii) renda domiciliar igual ou maior a R$ 208,42 e inferior a R$ 664,02, para a linha de pobreza. Estimou-se uma população indigente de 17.473 e uma população pobre de 109.797 habitantes e taxas de indigência e de pobreza iguais a 3,9% e 24,3%, respectivamente, sendo a pobreza rural mais intensa na RMRJ, comparativamente ao interior do Estado. Além disso, os resultados apontam que no ERJ a pobreza rural é seletiva por sexo, idade, cor/raça e por nível de escolaridade. E as análises realizadas neste artigo, sugerem que o rompimento do ciclo vicioso da pobreza rural depende fortemente de políticas para o desenvolvimento territorial rural, dentre as quais se destacam as políticas educacionais.
- Research Article
- 10.12957/cdf.2025.94267
- Dec 19, 2025
- Cadernos do Desenvolvimento Fluminense
- Tatiane De Oliveira Pinto
Neste artigo são apresentados resultados de uma investigação realizada no ano de 2023, cujo objetivo principal foi compreender a relação do Sambaqui do São Bento com o campo patrimonial, tendo como principal referência cultural a memória ancestral indígena na cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A metodologia utilizada para o estudo se caracterizou por contornos de uma pesquisa exploratória, de abordagem qualitativa, onde se realizou revisão bibliográfica sobre temas do patrimônio, memória ancestral e Baixada Fluminense. Indica-se, ainda, a partir desta discussão, atividades de Sequência Didática, aqui sublinhada como valioso instrumento metodológico para a educação patrimonial, que no estudo foi aplicado em uma perspectiva experimental, enquanto ferramenta de pesquisa-ação. Como resultados, foi possível apurar a relevância do Sambaqui do São Bento como constituidor de memórias ancestrais de Duque de Caxias, sendo um importante referencial para o seu patrimônio, conferindo à sua população percepções de identidade e pertencimento.
- Research Article
- 10.12957/cdf.2025.94615
- Dec 19, 2025
- Cadernos do Desenvolvimento Fluminense
- Lilian Angélica Da Silva Souza + 1 more
O presente artigo apresenta uma análise das produções culturais na Baixada Fluminense (BF), a partir de uma abordagem decolonial, considerando as implicações oriundas do estigma em torno do território. O objetivo consiste em evidenciar os impasses para a realização de produções artísticas periféricas na região. A hipótese é a de que a marginalização do território da Baixada Fluminense é o instrumento da colonialidade para a deslegitimação dos seus moradores como produtores de cultura. Trata-se de uma análise qualitativa, baseada na metodologia de revisão bibliográfica, a partir de um referencial teórico fundamentado na perspectiva da teoria decolonial, além de um levantamento quantitativo referente às produções artísticas, equipamentos e grupos culturais no território. Como resultados, identificamos categorias culturais que se destacam no trabalho que visa transformação social coletiva e comunitária, fomentados por um “espírito das periferias”, unindo os propósitos de uma agenda decolonial com as iniciativas culturais da BF.
- Research Article
- 10.12957/cdf.2025.94644
- Dec 19, 2025
- Cadernos do Desenvolvimento Fluminense
- Andressa Carvalho + 1 more
Este artigo propõe uma reflexão sobre a cultura junina no município de Duque de Caxias, a partir de um recorte da pesquisa de doutorado em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Humanidades, Culturas e Artes. O estudo busca compreender as relações entre Santo Antônio, santo padroeiro da cidade e a educação no município, investigando como as celebrações dedicadas ao santo impactam as relações educativas e culturais no município. Adotou-se uma metodologia qualitativa, com base em aspectos da observação participante, realizada durante os festejos no ano de 2025 e aspectos da análise de conteúdo para a elaboração deste estudo. Como referenciais teóricos, utilizaram-se as pesquisas de Tania Amaro (2019), Antonio Augusto Braz (2019) Renata de Almeida Oliveira (2017), pesquisadores da Baixada Fluminense, para a abordagem dos aspectos ligados ao santo e à cidade; Luiz Antonio Simas (2022), para a discussão do histórico do santo no Brasil; bell hooks (2019) e Paulo Freire (1991), para refletir sobre os sentidos da educação na cidade e Halbwachs (2006) para a análise do conceito de memória coletiva.
- Research Article
- 10.12957/cdf.2025.94285
- Dec 19, 2025
- Cadernos do Desenvolvimento Fluminense
- Eliana Santos Laurentino
O presente trabalho analisa as potências de produção de memórias e histórias, por meio de registro e divulgação das referências identitárias no/do território a partir de Ponto de Memória. Em perspectiva de escala, foram realizadas entrevistas com alguns dos primeiros moradores de uma comunidade que se estabeleceu por meio de uma ocupação nos anos 1990, no segundo distrito do município de Duque de Caxias, em um morro que ficou, inicialmente, conhecido como "morro da farinha", e onde, atualmente, está localizado o ponto de memória “Varanda Cultural Abolição”. A partir de um referencial teórico de Nêgo Bispo (2023), amplia-se o olhar para o processo de apagamento colonial que invisibiliza os símbolos e as significações dos modos de vida de um povo por outra cultura por meio de práticas de violência, com desdobramentos diversos ao longo do tempo. Isso foi identificado com a referência a nomenclatura “morro da farinha”, carregado de estereótipos do nordeste brasileiro. A farinha de mandioca, também consumida pelos nordestinos, nem sempre é mobilizada de forma positivada ou mesmo em perspectiva histórica, como referência de uma raiz ainda mais profunda de identidade dos primeiros habitantes em terras pindoramas e com valor existencial. Assim, os documentos advindos de um ponto de memória foi um caminho fértil para busca das marcas e raízes históricas dos moradores, que vivendo em um território periférico como Baixada Fluminense, alimentam e carregam suas marcas ancestrais de sabedorias e práticas culturais, expressos na comida, nas rezas, nos sabores e saberes.
- Research Article
- 10.12957/cdf.2025.94670
- Dec 19, 2025
- Cadernos do Desenvolvimento Fluminense
- Bruno Borja + 2 more
A política cultural passou por uma surpreendente transformação nos últimos anos, com a aprovação e implementação da Lei Aldir Blanc (LAB) em 2020, da Lei Paulo Gustavo (LPG) e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), ambas em 2022. Tais leis vieram a descentralizar recursos federais para os demais entes federativos e propiciaram um volume histórico de recursos para a execução de políticas públicas de cultura em todo o país. Na Baixada Fluminense, os recursos federais mobilizaram iniciativas políticas nunca antes vistas, injetando alguns milhões de reais nos últimos anos e ativando a cadeia produtiva da cultura nos territórios. Nesse trabalho buscamos traçar um panorama das políticas públicas de cultura na Baixada Fluminense 2018-2024, analisando os orçamentos municipais nesse período e produzindo indicadores culturais de avaliação.