- Research Article
- 10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i4.2781
- Dec 19, 2025
- Biodiversidade Brasileira
- Márcio José Costa De Albuquerque Lima-Júnior + 10 more
A costa sul de Alagoas, no nordeste do Brasil, abriga ecossistemas marinhos costeiros ecologicamente importantes, contemplados pela Reserva Extrativista Marinha da Lagoa do Jequiá (RESEX Jequiá). Essa área representa uma unidade de conservação estratégica para espécies ameaçadas de extinção, como o mero (Epinephelus itajara), um peixe que depende de diferentes habitat ao longo de sua vida. Entre 2019 e 2024, investigamos a distribuição do mero na RESEX Jequiá e áreas adjacentes, analisando o uso de habitat estuarinos (manguezais) e marinhos (recifes de arenito, corais e artificiais) em diferentes estágios ontogenéticos da espécie. Durante o estudo, registramos 23 indivíduos: os juvenis (<60 cm) ocorreram principalmente em manguezais e recifes costeiros rasos, enquanto os subadultos e adultos (>120 cm) foram encontrados em recifes mais distantes da costa e em águas mais profundas. A análise de agrupamento baseada na distribuição do tamanho dos indivíduos indicou maior similaridade entre os recifes costeiros e os manguezais. A presença de indivíduos em diferentes estágios ontogenéticos, distribuídos longitudinal e verticalmente entre ambientes estuarinos e marinhos, destaca a necessidade de considerar o conhecimento sobre a conectividade entre habitat nas estratégias de conservação voltadas ao mero e às áreas marinhas protegidas. Acreditamos também que a ampliação dos limites atuais da RESEX Jequiá possui maior potencial para proteger todo o ciclo de vida de Epinephelus itajara, especialmente em sua fase juvenil, contribuindo diretamente para a manutenção da população da espécie e para a conservação dos ecossistemas contemplados por essa área marinha protegida.
- Research Article
- 10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i4.2651
- Dec 16, 2025
- Biodiversidade Brasileira
- Júlia Isabela Da Silva Kohler + 2 more
Melanorivulus leali é um rivulídeo não-anual endêmico do Brasil, e a primeira espécie do gênero descrita na drenagem do rio Grande, bacia do Alto Paraná. Sua região de ocorrência vem sendo intensamente alterada pela ocupação por monocultivo de cana-de-açúcar e urbanização, restando raros vestígios da vegetação original. Por essa razão, M. leali foi categorizada como “vulnerável” pelo ICMBio. O presente trabalho objetivou complementar informações sobre a distribuição, caracterização do habitat e principais ameaças à espécie, a partir de sua prospecção nas bacias dos rios Pardos e Mogi-Guaçu (estado de São Paulo). Foram realizadas duas campanhas de coleta, nas quais foram amostrados 26 pontos, onde se observou grande influência antrópica, como a presença de espécies exóticas invasoras, além de atividades agropecuárias. Foram coletados indivíduos de Melanorivulus leali em cinco pontos: um monocultivo de cana-de-açúcar em Sertãozinho, na Estação Ecológica de Santa Maria e na Estação Experimental de São Simão, todos sob influência do rio Pardo. O ambiente de ocorrência da espécie consiste em pequenos cursos d’água, rasos, de água transparente e abundante presença de macrófitas aquáticas submersas, substrato de folhiço, lama ou areia, alta concentração de oxigênio dissolvido, apesar da presença de espécies exóticas. Os pontos localizados em áreas protegidas apresentam conexão hidrológica e natural com o ribeirão Tamanduá, afluente do rio Pardo. Dessa forma, ampliaram-se os registros de M. leali, incluindo o primeiro registro da espécie em uma unidade de conservação. O fato de 80% dos registros estarem no interior de áreas protegidas reforça sua importância para a conservação da biodiversidade aquática.
- Research Article
- 10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i4.2818
- Dec 10, 2025
- Biodiversidade Brasileira
- Sofia Zank + 12 more
Neste estudo de caso, compartilhamos a experiência e os aprendizados provenientes de um intercâmbio entre pescadoras e pescadores da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais e do Pantanal, com o objetivo de fortalecer as ações de monitoramento participativo da sociobiodiversidade na região do Pantanal. O intercâmbio permitiu o diálogo entre conhecimentos ecológicos locais e técnico-científicos, através de uma parceria entre o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Sociobiodiversidade Associada a Povos e Comunidades Tradicionais, a Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneiras, a Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste, e a Universidade Federal de Alagoas. Os resultados dessa experiência demonstram a importância de ampliar as iniciativas de intercâmbio em territórios tradicionais, de forma a fortalecer o protagonismo e a autonomia de povos e comunidades tradicionais na conservação e no monitoramento da sociobiodiversidade.
- Research Article
- 10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i4.2577
- Dec 4, 2025
- Biodiversidade Brasileira
- Demetrio Luís Guadagnin + 1 more
Neste Trabalho, investigamos como são declarados, priorizados e inter-relacionados os atributos e objetivos das áreas de proteção ambiental (APAs) em comparação com os critérios e categorias da IUCN. Selecionamos para estudo dez APAs, nas cinco regiões brasileiras. Extraímos dos decretos de criação e planos de manejo informações sobre objetivos e atributos ambientais e culturais. Os objetivos declarados nos documentos oficiais das APAs permitem seu enquadramento tanto na categoria V quanto na categoria VI da IUCN, em parte por serem apresentados de forma imprecisa ou genérica e não hierarquizada. Encontramos maior correspondência dos objetivos com a categoria V, especialmente pela ausência de menções e evidência da existência de paisagens culturais e culturas tradicionais, interesse na promoção do turismo e recreação, manutenção de serviços ecossistêmicos e uso sustentável dos recursos naturais. Os resultados indicam que não existe boa concordância entre os atributos biológicos, físicos e culturais mencionados nos documentos oficiais e os objetivos declarados. Emerge como padrão tratar-se de áreas com elevada intervenção humana em uma dinâmica de progressiva apropriação de espaços e recursos, ainda com grande valor de conservação. A APA é uma categoria importante no portfólio brasileiro de áreas protegidas. O enquadramento sempre envolve algum grau de desajuste com princípios gerais dadas as peculiaridades locais. O caráter único de cada APA, claramente estabelecido pelos atributos presentes e valorizado na hierarquização dos objetivos, permite orientar de forma segura quais ações devem ser priorizadas localmente.
- Research Article
- 10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i4.2793
- Nov 25, 2025
- Biodiversidade Brasileira
- Matheus Marques Bitencourt + 1 more
Com o uso mais frequente das redes sociais por instituições públicas brasileiras, como canais de comunicação e democratização da informação, se fazem necessários estudos visando melhorar e avaliar estratégias de comunicação, garantindo produtos acessíveis ao linguajar da população em geral, bem como divulgar a “marca” das instituições. Destacando o uso do Instagram, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade já utiliza essa ferramenta de divulgação, no entanto tal prática ainda é relativamente recente entre as suas unidades descentralizadas, principalmente na Amazônia. Neste sentido, realizamos uma avaliação das publicações nos perfis do Instagram das unidades de conservação localizadas na Amazônia. Analisamos manualmente a quantidade, o tipo e os números de reação por categorias, de cada perfil. Nossos resultados demonstram que grande parte dos perfis na Amazônia, ainda são novos, sendo os mais antigos, os que possuem mais seguidores. Os perfis do PARNA do Jaú, PARNA de Anavilhanas, NGI Carajás, FLONA do Tapajós e RESEX Chico Mendes se destacam em relação ao número de seguidores, já os temas de Biodiversidade, Gestão de UC e Avisos e Informações se destacaram entre os mais publicados, curtidos e comentados. A utilização de publicações com colaboradores se mostrou bem efetiva, principalmente quando feita com o perfil oficial do ICMBio. O melhor entendimento e utilização dessa ferramenta de comunicação permite a aproximação da população geral com o Instituto, contribuindo para a conscientização da proteção da biodiversidade e o incentivo ao desenvolvimento sustentável.
- Research Article
- 10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i4.2436
- Nov 24, 2025
- Biodiversidade Brasileira
- Matheus Costa Ribeiro + 2 more
O presente artigo investiga as ocorrências dentro das unidades de conservação federais de espécies parentes silvestres de plantas de importância alimentar. Foram escolhidas as espécies dos gêneros Arachis (gênero do amendoim), Ipomoea (da batata-doce) e Passiflora (do maracujá), pela ampla riqueza e ocorrência no país, por serem de interesse para a agricultura e menos estudadas em comparação com outros gêneros de importância alimentar. Extraíram-se os registros de ocorrência geográfica das espécies no território brasileiro do site GBIF, e posteriormente foram considerados apenas os nomes válidos, conforme o site Flora do Brasil. Após a filtragem de dados, foram gerados mapas de ocorrências para cada gênero e espécie, e realizadas análises quantitativas sobre a ocorrência nos biomas e nas unidades de conservação, em escala nacional. Com foco no Cerrado, avaliou-se o quanto os registros de ocorrência estão em áreas remanescentes ou já degradadas no bioma. Verificou-se que a proporção de registros de ocorrência das espécies dos gêneros Arachis, Ipomoea e Passiflora é relativamente baixa dentro das unidades de conservação. Em relação ao avanço do desmatamento do Cerrado, observou-se que 1.313 registros de ocorrências do gênero de Arachis no Cerrado, 91 (7,0%), estão em áreas desmatadas entre 2000 e 2020; para Ipomoea são 30 (6,5%) dos 463, e Passiflora, são 28 (14,2%) dos 197. Conclui-se que as unidades necessitam de maiores estudos para saber o que salvaguardam de espécies vegetais de parentes silvestres com importância alimentar. Por outro lado, são tais unidades, mesmo pressionadas, que em larga medida estão sendo abrigo para a conservação dessas espécies.
- Research Article
- 10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i4.2817
- Nov 24, 2025
- Biodiversidade Brasileira
- Glória Maria Cardoso Lacerda
Bases de dados são importantes ferramentas de registro e consulta, que tornam a busca por informações mais prática e rápida, auxiliando no conhecimento acerca da biodiversidade. A fauna de vertebrados do Nordeste brasileiro conta com o registro de mais de duas mil espécies. Entretanto, há diversos levantamentos publicados, dispersos e fragmentados que mostram informações a respeito do número, habitat e distribuição desses vertebrados na região. Neste trabalho são apresentados os números atualizados das espécies de vertebrados que ocorrem na região nordestina brasileira, bem como sua distribuição pelos estados e biomas. É também apresentada a VERTENOS, a primeira base de dados a respeito da fauna de vertebrados do Nordeste do Brasil, onde os referidos dados estão disponibilizados, e serão constantemente atualizados, podendo ainda ser acessados e baixados de forma inteiramente gratuita. O objetivo é facilitar a busca por informações e, assim, estimular o conhecimento sobre a fauna nordestina brasileira.
- Research Article
- 10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i4.2756
- Nov 24, 2025
- Biodiversidade Brasileira
- Shayenne Elizianne Ramos + 2 more
A cidade de Cruzeiro/SP, localizada na bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul e nas encostas da Serra da Mantiqueira, abriga a área de relevante interesse ecológico (ARIE) do município de Cruzeiro, uma unidade de conservação municipal com o objetivo de proteger um remanescente de Mata Atlântica na zona urbana. Até o momento, não existem estudos específicos sobre a biodiversidade da unidade. O presente trabalho teve como objetivo realizar um levantamento das espécies de vertebrados de médio e grande porte presentes na ARIE do Município de Cruzeiro. Para tanto, utilizou-se o método de amostragem por armadilhas fotográficas, complementado por encontros oportunísticos. Foram registradas 21 espécies distintas, distribuídas entre 10 mamíferos, nove aves e dois répteis. Entre as espécies registradas, destacam-se Callithrix aurita, classificada globalmente como "em perigo" e duas espécies categorizadas como "quase ameaçada", Callicebus nigrifrons e Amazona aestiva. Além disso, foram observados mamíferos de médio porte, como Cerdocyon thous, e outras espécies de vertebrados representativas de diferentes níveis tróficos, como Sylvilagus minensis, Didelphis aurita, Galictis cuja, Penelope obscura, Turdus rufiventris, Mesembrinibis cayennensis e Salvator merianae, que contribuem para o equilíbrio ecológico da unidade. A presença de espécies exóticas, como Felis catus e Callithrix penicillata, destaca a necessidade de programas de monitoramento e conservação. O levantamento da fauna local contribui para o conhecimento da biodiversidade da Mata Atlântica na região e reforça a importância da ARIE como unidade de conservação, que conta com instrumentos legais para garantir sua proteção e preservação em longo prazo.
- Research Article
- 10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i4.2820
- Nov 24, 2025
- Biodiversidade Brasileira
- Anderson Velasque Catarina + 1 more
O turismo é uma importante atividade econômica global com potencial para impulsionar o desenvolvimento em três pilares da sustentabilidade: econômico, social e ambiental. Segmentos como o turismo rural cultural, ecológico e agroecológico têm impulsionado efetivamente o crescimento humano, social e econômico, ao mesmo tempo em que promovem a conservação ambiental e cultivam a consciência ecológica entre comunidades e turistas. Apesar desse potencial, muitas regiões brasileiras, ricas em atrações culturais e naturais, recebem anualmente inúmeros turistas que frequentemente negligenciam a preservação da cultura, agricultura e biomas locais. É essencial incentivar o investimento e fornecer treinamento para o desenvolvimento de rotas turísticas em diversas comunidades rurais do Brasil. Essas iniciativas, apoiadas por políticas governamentais de apoio, visam conservar os recursos ambientais e naturais sem comprometer a viabilidade econômica ou o bem-estar social dos moradores, fomentando assim uma economia local sustentável Este estudo discute o potencial econômico, social e de conservação do turismo, correlacionando-o com a realidade atual e precária de uma comunidade quilombola (Kalunga), etnia afro-brasileira, localizada às margens da Reserva Biológica da Chapada dos Veadeiros, no estado de Goiás, Brasil. O espectro turístico nos biomas brasileiros é vasto e oferece os atrativos mais procurados pelo atual fenômeno turístico global, que incluem o turismo cultural, o ecoturismo ou turismo ecológico e o turismo agroecológico.
- Research Article
- 10.37002/biodiversidadebrasileira.v15i4.2777
- Nov 14, 2025
- Biodiversidade Brasileira
- Martha Rocha Pereira + 3 more
Este estudo investiga a composição da ictiofauna em áreas de planície de inundação do Parque Natural Municipal das Capivaras (PNMC), Três Lagoas/MS, bacia do alto rio Paraná. Foram amostrados 262 exemplares, pertencentes a 22 espécies de peixes, sendo 10espécies nativas e 12 não-nativas. Já a composição trófica mostrou indivíduos de cinco hábitos distintos, sendo onívoro (8 espécies), insetívoro (9 espécies), carnívoro (6 espécies), invertívoro (2 espécies) e detritívoro (1 espécie). Assim, a partir de tais registros inéditos para o plano de manejo da unidade, evidenciamos lacunas no conhecimento prévio sobre a biodiversidade local. As análises revelaram que essas áreas alagadas funcionam como habitat críticos para espécies de pequeno porte, garantindo recursos tróficos e proteção. Os resultados demonstram a urgência de integrar planícies de inundação às estratégias de conservação do PNMC, ampliando a eficácia da gestão de ecossistemas aquáticos em unidades de conservação com influências urbanas.