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  • Research Article
  • 10.5007/2176-8552.2025.e99640
Engajamento político literário no plano teórico-conceitual benjaminiano
  • Mar 9, 2026
  • outra travessia
  • Rodrigo Rocha Rezende De Oliveira

O artigo pretende resgatar alguns dos princípios que constituem o exercício de crítica literária de Walter Benjamin (1982-1940) que, por seu caráter eminentemente filosófico e retórico, desenvolveu seus pressupostos hermenêuticos e reflexivos tendo por base a íntima conexão das formas estéticas e o discurso analítico. A partir disso, não somente pôde explorar diferentes modos de apresentação para seus escritos de crítica literária como, por conseguinte, aliou um forte engajamento político, disposto em uma configuração muita das vezes sibilina, em que a fortuna das imagens e alegorias deve nos levar a cenários argumentativos de completa imersão nos próprios objetos estéticos a que se dedica. Nesse sentido, dentre uma imensidão de entradas e saídas a que seu pensamento nos possibilita, iremos nos dedicar especialmente às questões da história, da leitura política que faz das narrativas e, especialmente, da intermediação que a linguagem poética configura nesse contexto.

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  • Research Article
  • 10.5007/2176-8552.2025.e99611
A metrópole moderna de Roberto Arlt: falência das experiências, anestesia dos sentidos
  • Mar 9, 2026
  • outra travessia
  • Felipe Da Silva Mendonça

A partir de uma perspectiva benjaminiana, este artigo tem como objetivo investigar os efeitos da metrópole moderna nas personagens de Os sete loucos (1929) e Os lança-chamas (1931), de Roberto Arlt. Para tanto, utilizamos como base teórica as considerações do próprio Walter Benjamin (1994, 2012), bem como de outros estudiosos que pensaram o espaço urbano, a saber: Ángel Rama (2015), Beatriz Sarlo (2001, 2016), Susan Buck-Morss (1996) e Willi Bolle (1994). Nos referidos romances, a necessidade de conseguir dinheiro faz Augusto Remo Erdosain caminhar pela Buenos Aires ficcional de Arlt. Assim, é a partir da urbe que o escritor argentino desmistifica os heróis de suas aventuras, apresentando personagens que costumam representar a maioria esquecida e angustiada pela cidade. Ao final de nossa análise, verificamos como a metrópole moderna contribui para a falência das experiências e a anestesia dos sentidos das personagens, especialmente do protagonista.

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  • Research Article
  • 10.5007/2176-8552.2025.e99743
O espaço em A cabeça do santo, de Socorro Acioli: entre o espaço físico e o cultural
  • Mar 9, 2026
  • outra travessia
  • Remerson Bezerra Menezes + 1 more

Levando em consideração que há uma tradição representativa do sertão nas artes brasileiras, associando este espaço ao semiárido, misticismo, entre outros estereótipos definidores, neste artigo objetiva-se analisar a representação do espaço sertanejo, como categoria temática e estrutural, no romance A cabeça do santo, de Socorro Acioli (2014). Nessa obra, observamos que o sertão cearense, espaço da narrativa, se relaciona de forma intertextual com discursos tradicionais construídos sobre um Nordeste específico (Albuquerque Júnior, 2011), em relações de continuidades e rupturas de estereótipos cristalizados. Assim, analisamos, para além dos aspectos físicos, o espaço cultural permeado pela religiosidade, representada a partir de perspectivas diversas, a saber, como cosmovisão, fanatismo e elemento tendencialmente maravilhoso. Este último, em particular, se manifesta através de episódios insólitos, relacionados à crença religiosa. Para embasar essa pesquisa, faremos uso de algumas concepções teóricas, como as de Marçal (2009), Moraes (2014), Santini (2011), Todorov (1975) e outros. Esta abordagem permite uma investigação abrangente sobre como a representação do sertão em A Cabeça do Santo contribui para discussões mais amplas sobre identidade regional, narrativas culturais e simbolismo religioso na literatura brasileira.

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  • Research Article
  • 10.5007/2176-8552.2025.e101015
Entre a vida e a escrita: entrevista com Silviano Santiago
  • Mar 9, 2026
  • outra travessia
  • Rodrigo Felipe Veloso

Silviano Santiago nasceu em Formiga (MG), em 1936. Sua vasta obra inclui romances, contos, ensaios literários e culturais. Doutor em letras pela Sorbonne, Silviano começou a carreira lecionando nas melhores universidades norte-americanas. Transferiu-se posteriormente para a PUC-Rio e é, hoje, professor emérito da UFF. Foi cinco vezes premiado com o Jabuti. Pelo conjunto da produção literária, ganhou o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, e o José Donoso, do Chile. Recebeu do governo francês a distinção de Officier dans l'Ordre des Arts et Lettres e Chevalier dans l'Ordre des Palmes Académiques. Ganhou o prêmio Camões de 2022. Seus livros estão traduzidos em várias línguas. Silviano vive hoje no Rio de Janeiro. Nesta entrevista, Silviano Santiago conversa sobre sua produção crítica e literária, bem como sobre fatos de seu passado, de sua carreira como docente e da recepção crítica de suas obras.

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  • Research Article
  • 10.5007/2176-8552.2025.e96847
L’arrivée de Putain au Brésil
  • Mar 9, 2026
  • outra travessia
  • Cassiana Lopes Stephan

Dans cet essai, je raconterai, dans un premier temps, comment et pourquoi le projet de traduction de Putain est arrivé au Brésil. Dans un deuxième temps, je discuterai du style adopté dans le processus de cette traduction dont la couleur thématique, à savoir, le néon rose, nous remonte à la poétique arcanienne et à sa dimension philosophique. Dans un troisième temps, je présenterai la base de certaines de mes impressions philosophiques sur l’écriture de Nelly Arcan et le récit du personnage Cynthia. À cet effet, je prendrai en compte la conception de Michel Foucault concernant l’attitude critique, mais aussi les analyses de Judith Butler sur le récit de soi. Finalement, par le biais ouvert par Butler, je réfléchirai brièvement à l’ambivalence mélancolique de Cynthia.

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  • Research Article
  • 10.5007/2176-8552.2025.e99711
O tecido da rememoração: Proust, Benjamin e a escrita do passado
  • Mar 9, 2026
  • outra travessia
  • Victor Calcagno

As reverberações entre Marcel Proust e Walter Benjamin não estão só no nível das afinidades estéticas que levaram o pensador alemão a traduzir e ensaiar sobre o romancista. A partir da dinâmica da memória tratada por ambos, este artigo propõe aproximar as Teses sobre o conceito de história, escritas por Benjamin, das noções de tempo trabalhadas em Em busca do tempo perdido. Pela análise de uma cena-chave no ciclo de romances, situação que se encaixa numa série, a ideia de tempo homogêneo e vazio, questionada nas Teses, é cruzada com a perspectiva íntima e fragmentária da rememoração desenvolvida por Proust. Em comum, ambos os autores destacam a descontinuidade típica do ato de relembrar, tendo como resultado uma percepção alargada sobre a experiência.

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  • Research Article
  • 10.5007/2176-8552.2025.e99760
A memória cartográfica: Os diários de Emilio Renzi entre o espaço de formação e o espaço de catástrofe
  • Mar 9, 2026
  • outra travessia
  • André Luiz Costa

Em Os diários de Emilio Renzi a cidade de Buenos Aires surge primeiro como espaço de formação e, depois, como espaço de catástrofe. É no que Emilio Renzi, alter ego de Ricardo Piglia, chama de “os anos da peste”, ou seja, os anos da ditadura militar argentina, que a cidade adquire aspectos ameaçadores e se altera, do que antes era efervescência literária e cultural, para um espaço de esvaziamento e solidão. Em tom memorialístico, podendo ser lidos na fronteira entre documento pessoal e ficção, os três volumes dos Diários borram os gêneros literários, em processo de colagem. Neste artigo, iremos nos deter em elementos que caracterizam a relação do narrador com o espaço na obra, em especial durante a ditadura dos anos 1970 e 1980. Com base nas leituras de Beatriz Sarlo, Adriana Rodríguez Pérsico, Maria Antonieta Pereira e Júlio Pimentel Pinto, analisaremos o “mapa autobiográfico” da cidade, conforme delimitado por Renzi em seus deslocamentos constantes, e as formas que a cartografia desse espaço assume ao longo dos volumes dos Diários.

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  • Research Article
  • 10.5007/2176-8552.2025.e99774
O mitológico, o trágico e o biográfico em Rei Revés, de Evandro Affonso Ferreira
  • Mar 9, 2026
  • outra travessia
  • Bianca Becker Pertuzatti + 1 more

Este artigo analisa como os intertextos com as mitologias gregas, as tragédias gregas clássicas e a biografia de Luiz Inácio Lula da Silva compõem a narrativa do livro Rei Revés (2021), de Evandro Affonso Ferreira. Para tal análise, as principais referências foram a pesquisa de Linda Hutcheon (1991) sobre a intertextualidade na literatura pós-moderna, os estudos de Junito de Souza Brandão (1986, 2022) e Aristóteles (2020) para um melhor entendimento das referências às mitologias gregas e dos elementos das tragédias, assim como as obras de Sófocles e a biografia de Lula para a realização de uma análise comparativa entre essas obras e o livro de Evandro.

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  • Research Article
  • 10.5007/2176-8552.2025.e99749
Afetividade e endereçamento: os destinatários de Assionara Souza
  • Mar 9, 2026
  • outra travessia
  • Brunna Pszdzimirski + 1 more

O objetivo deste trabalho é observar como o endereçamento poético se apresenta na escrita de Assionara Souza (1969-2018). Com dois livros de poesias publicados, a autora foi atuante em publicações nas redes sociais, em que é possível verificar a produção de poemas que fortalecem as vivências do eu-mulher. São destes espaços que selecionamos para análise os poemas: “Águas de Ariel” (2016), “Para Leo Mir” (2017) e “É tarde de segunda-feira” (2018). Observamos que o endereçamento se constrói através da afetividade e das escritas do íntimo, em um movimento que utiliza nomes próprios, porém possibilita a presença e participação do leitor. Para o desenvolvimento de tais questões, analisamos os poemas lendo-os através das ideias teóricas de Luciana Di Leone (2014) e Celia Pedrosa (2014, 2018), sobre a noção do afeto e do endereçamento em poemas que quando produzidos utilizam como suporte nomes próprios. Também nos pautamos nas ideias de Luciana Abreu Jardim (2017) sobre as escritas do íntimo dentro da poesia produzida por mulheres. Por meio de uma escrita que se apresenta em caráter privativo, Assionara demonstra que as redes sociais podem ser um excelente espaço para que a voz do poema enquanto emissora estabeleça um contato direto com seus receptores/leitores.

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  • Research Article
  • 10.5007/2176-8552.2025.e99469
Homeless: a escritura de Edimilson de Almeida Pereira
  • Mar 9, 2026
  • outra travessia
  • Lucca Lobato

O presente artigo pretende realizar uma leitura do livro Homeless (2010), de Edimilson de Almeida Pereira. Busca-se observar como a escritura do poeta é desenvolvida entre hospitalidade, herança e espectro a partir da linguagem e de sua transgressão. A leitura do texto centra-se na transgressão da linguagem, por meio da qual o autor mistura idiomas e tradições, criando uma “hospitalidade linguística” que simultaneamente acolhe e desafia. Nesse sentido, pretende-se investigar a forma como a escrita poética transcende os limites linguísticos, transformando a ideia de "homeless" (sem-teto) em uma figura simbólica e multifacetada, uma metáfora transgressora e acolhedora.