- Research Article
- 10.36517/rdl.v1i44.94365
- Nov 28, 2025
- Revista de Letras
- Sheila Maria Santos
Parte-se, neste artigo, do princípio de que para que uma obra seja traduzida e realize a almejada circulação transatlântica, não basta apenas que esta possua qualidade literária, expressividade poética, ou pertinência no país de origem, pois há uma série de fatores extraliterários que dificultam, ou até mesmo impedem, que determinadas obras circulem em outros países, tais como o sexismo, o racismo, o colonialismo, desigualdades sociais, e preconceitos de diversas ordens, além de questões comerciais (CASANOVA, 2002). Diante disso, pretende-se, neste trabalho, analisar as causas e problematizar a não-tradução de obras de autoria feminina do grupo OuLiPo (Ouvroir de littérature potentielle), no Brasil, fato que leva ao isolamento de potências literárias, ao contrário do que ocorre com seus membros célebres, tais como Raymond Queneau, Georges Perec e Italo Calvino, porta-vozes do grupo e altamente traduzidos. Para tanto, serão utilizadas as obras de Pascale Casanova (2002) com vistas à reflexão sobre as causas de tal conjuntura, além de autoras que se debruçaram sobre a condição da mulher escritora na França e, particularmente, das oulipianas, a saber, Reggiani (2016), Bloomfield (2017), Tahar (2020), entre outras.
- Research Article
- 10.36517/rdl.v1i44.96342
- Nov 28, 2025
- Revista de Letras
- Arvi Sepp + 1 more
Este artigo examina como traduções do Diário de Anne Frank moldam a memória coletiva por meio de adaptações ideológicas. Na parte alemã, compara-se a versão de Anneliese Schütz (1950) com a de Mirjam Pressler (1991), articulando-as ao contexto da Vergangenheitsbewältigung. Mostra-se que Schütz “desjudaiza” e “desgermaniza” o texto: atenua referências a leis antissemitas, suprime “Vollblut-Juden”, reduz menções a “Jude/Deutsch” e suaviza conflitos familiares e a voz juvenil de Anne, produzindo um efeito de apagamento histórico e moral; Pressler reaproxima o texto do original. Na RDA, o enquadramento antifascista estatal favoreceu leituras universalizantes. Na parte lusófona, mapeiam-se edições portuguesas (Losa, 1958; Vieira, 2004) e brasileiras (Edel, 1978; Calado, 2004; Mariano, 2017; Prado/Paiva, 2019; Zwiesele, 2019), evidenciando prólogos juvenilizantes e a recorrente conversão do presente para pretérito, que distancia a experiência e suaviza a urgência do testemunho. Conclui-se que escolhas tradutórias e paratextuais respondem a expectativas de mercado e políticas de memória, influenciando a percepção histórica, ética e literária do Diário.
- Research Article
- 10.36517/rdl.v1i44.94193
- Nov 28, 2025
- Revista de Letras
- Claudio Luiz Da Silva Oliveira
Este trabalho tem por objetivo apresentar as narrativas de Mariquita Sánchez sobre o tratamento dado a mulheres e crianças em suas memórias registradas na obra Recuerdos del Buenos Ayres Virreynal, dirigido a Santiago de Estrada. A abordagem metodológica adotada é qualitativa, numa perspectiva bibliográfica. O corpus de análise são os relatos apresentados neste livro de memórias, publicado em 2019 pela editora Maizal. O método de análise é pautado na análise de conteúdo, proposta por Bardin (2011). Concluímos que as impressões registradas por Mariquita evidenciam que a mulher era criada para o trato do lar e o cuidado dos filhos, e os jovens rapazes eram educados para não demonstrar sentimentos e terem autonomia para a subsistência familiar.
- Research Article
- 10.36517/rdl.v1i44.94577
- Nov 28, 2025
- Revista de Letras
- Regina Almeida Do Amaral + 1 more
Diversos exemplares da literatura mundial, que circularam por anos no Brasil através da tradução indireta, passaram a ser retraduzidos de forma direta, principalmente a partir dos anos 2000, o que parece revelar uma tendência de substituição da tradução indireta pela direta, ou de preferência da segunda em relação à primeira. Neste artigo, pretende-se verificar se há de fato essa tendência e, para tal, será analisado um corpus de 50 obras literárias escandinavas dos últimos trinta anos traduzidas para o português e publicadas no Brasil entre 2017 e 2021. A (in)diretude das traduções será identificada a partir de um levantamento de dados dividido em três etapas complementares: na primeira, a partir dos paratextos (Genette, 2009), especificamente dos índices morfológicos (Torres, 2014), dos livros traduzidos, o que também permitirá determinar de que forma essa (in)diretude aparece nos elementos paratextuais; na segunda, comparando informações dos paratextos dos livros traduzidos com as dos paratextos dos textos-fonte primários; na terceira, e última, a partir da busca por informações sobre o trabalho dos tradutores para identificar os pares linguísticos com que trabalham. A partir da identificação da (in)diretude dessas obras e da comparação entre a proporção de traduções diretas e indiretas nesse pequeno recorte de publicações, será possível ter uma ideia da presença da tradução indireta no mercado editorial brasileiro, verificar se ela vem diminuindo ou não e identificar de que forma ela é apresentada. Palavras-chave: (In)diretude das traduções. Paratexto do livro traduzido. Literatura escandinava.
- Research Article
- 10.36517/rdl.v1i44.95690
- Nov 28, 2025
- Revista de Letras
- Jocelma Gomes Rodrigues Lima + 2 more
Este artigo pretende promover uma discussão sobre paratextos em obras literárias traduzidas, mais especificamente tradução para línguas de sinais, que levanta diversos questionamentos não somente sobre Estudos da Tradução, mas Educação, Acessibilidade e Políticas Linguísticas. A obra de análise proposta é “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, em duas edições em libras publicadas em 2016. Direcionada pelas perguntas “Como se apresenta a tradução?”, “O que mostra o paratexto?” e “O texto traduzido apresenta-se como uma tradução assumida?”, esta pesquisa teve ênfase em apenas um elemento paratextual: a posição do nome do tradutor na obra para verificar se há um processo de in/visibilidade do tradutor. Com base em Casanova (2021), Venuti (2021), Genette (2009), Torres (2011), Quadros e Segala (2015), Strobel (2008) e Mourao (2012), discorreu-se sobre paratextos em livros traduzidos, o papel exercido pelos tradutores, Literatura disponível em libras, Literatura Surda, (in)visibilidade do tradutor de línguas de sinais.
- Research Article
- 10.36517/rdl.v2i43.94294
- Jul 1, 2025
- Revista de Letras
- Jessica Oliveira Fernandes + 1 more
Neste artigo, partindo de uma vertente brasileira da linguística textual (Cavalcante et al., 2022), assumimos que a argumentatividade é uma condição de todo texto e que as motivações argumentativas influenciam todas as estratégias de organização textual. Desse modo, tomando como critério analítico os processos referenciais, que acionam os referentes em rede nos textos (Matos, 2018), buscamos demonstrar que o uso da impolidez é uma estratégia argumentativa e se manifesta nos textos em diferentes graus, sendo um deles a violência, a qual ocupa um dos extremos do que denominamos, com base em Fernandes (2024), “contínuo da impolidez”. A demonstração de como a impolidez opera estrategicamente é baseada na análise de comentários em postagens de perfis de jornais na rede social Instagram. Os processos referenciais são mobilizados para atualizar níveis de impolidez que atuam como modos mais ou menos agressivos de marcar, no texto, os pontos de vista dos comentaristas.
- Research Article
- 10.36517/rdl.v2i43.94197
- Jul 1, 2025
- Revista de Letras
- Francisco Mario Carneiro Da Silva + 2 more
Este trabalho busca analisar a construção do ponto de vista nos comentários de uma postagem sobre feminilidade/masculinidade do perfil @_simplesebela no Instagram. O quadro teórico-metodológico que fundamenta e orienta nossa análise é pautado em trabalhos da Linguística Textual brasileira, como Cortez (2011; 2013), Custódio-Filho (2011), Cavalcante, Custódio-Filho e Brito (2014), Cavalcante et al. (2022), Cavalcante e autor (2021) e autor (2022). Para a composição do corpus, selecionamos uma postagem realizada em 15 de novembro de 2022 no perfil mencionado. Para a análise, observamos alguns elementos do vídeo e da descrição presentes na postagem iniciadora e um conjunto de comentários dela decorrentes. Na análise realizada, percebe-se que o tema proposto na postagem é desenvolvido/alterado conforme os pontos de vista vão sendo manifestados. A partir da observação do corpus, é possível concluir que a recategorização dos referentes elencados pela locutora/enunciadora primeira e pelas demais locutoras/enunciadoras auxilia nessa mudança de ponto de vista — e, por consequência, na manutenção ou alteração do tema.
- Research Article
- 10.36517/rdl.v2i43.94248
- Jul 1, 2025
- Revista de Letras
- Maria Aparecida Lino Pauliukonis + 1 more
Este artigo contempla a temática da argumentação em sentido amplo e sob novos olhares. Trata da análise dos processos de convencer a persuadir o destinatário, segundo princípios das teorias da enunciação. Dessa forma, focaliza-se a dinâmica do ato de comunicação entre sujeitos sociais e discursivos, regidos por um contrato de comunicação, elaborado a partir de saberes de conhecimento e saberes de crença, que servem de base para o reconhecimento dos imaginários sociais. Como fundamentação teórica, parte de conceitos clássicos da retórica de Aristóteles, revistos pelas novas propostas de Perelman (2000) e de Amossy (2018) e adota alguns pressupostos da teoria Semiolinguística de Charaudeau (1992, 2008), cujo foco são os projetos de influência do sujeito enunciador sobre o destinatário. Assim, por meio de uma perspectiva pragmático-enunciativa, concebe-se a linguagem como um ato de encenação, que visa à persuasão de um auditório geral e/ou partícular, por meio de estratégias linguístico-discursivas. São examinadas também as funções de elementos linguísticos como os operadores argumentativos de oposição na coesão sintático-semântica dos enunciados e o papel da seleção lexical, capaz de provocar efeitos patêmicos sobre o destinatário, levando-o a aderir às teses apresentadas, bem como um Grafite, como possibilidade de argumentação sem palavras, por meio de texto imagético.
- Research Article
- 10.36517/rdl.v2i43.94255
- Jul 1, 2025
- Revista de Letras
- Kennedy Cabral Nobre + 2 more
O presente artigo tematiza o fenômeno da intertextualidade presente em um texto pictórico derivado de uma obra literária, mais especificamente, uma prática intertextual hiperestética (PIH), a tela Iracema (1924), de Lucílio de Albuquerque, que transforma a obra literária Iracema: lenda do Ceará, de José de Alencar, em pintura. Diante disso, este trabalho tem por objetivo analisar as mensagens linguística, plástica e icônica, bem como os parâmetros intertextuais flagrados na peça pictórica, com base no quadro teórico-metodológico para análise de PIH adaptado por Sousa (a sair), a partir das propostas de Nobre (2014) e de Silva (2016). Para tanto, recorremos, como aporte teórico-metodológico de nosso estudo, aos trabalhos de Genette (2010), Nobre (2014), Silva (2016) e Sousa (a sair). Para mais, as análises revelaram que a tela Iracema (2024) adapta uma passagem pontual do texto fonte. Tal reconhecimento é possibilitado pela leitura de elementos linguísticos/discursivos, plásticos e icônicos presentes na obra e pela manutenção de referentes do hipotexto. A respeito dos parâmetros intertextuais, foi constatado, concernente ao parâmetro funcional, uma relação de captação para a convergência, uma vez que o novo texto não subverte o texto original; relativo à hierarquia do parâmetro constitucional, no parâmetro composicional, é observada uma relação de derivação, uma vez que o hipertexto é formado integralmente pelo hipotexto e este não figura apenas como um fragmento em um texto maior; no parâmetro formal, temos uma adaptação da obra original; no parâmetro referencial, é flagrado um maior grau de explicitude, em especial, pelo título do novo texto ser composto pelo nome da personagem-título da obra original. Por fim, referente ao parâmetro estilístico, o hipertexto foi produzido sob influência de uma escola vanguardista.
- Research Article
- 10.36517/rdl.v2i43.94353
- Jul 1, 2025
- Revista de Letras
- Marcos Vinícius Lúcio Fragoso + 1 more
Este artigo investiga a constituição da argumentação e intertextualidade em memes da internet, analisando como essas produções digitais operam como veículos de comunicação persuasiva em contextos sociais contemporâneos. O objetivo principal é compreender as estratégias argumentativas utilizadas pelos memes e como elas se relacionam com referências culturais que intensificam seu impacto. A fundamentação teórica baseia-se nas obras de Cavalcante (2012), Koch, Bentes e Cavalcante (2007), Melo (2013), Cavalcante et al. (2022), Abreu (2009), Marcuschi (2008), Paveau (2021), Martins (2024), Muniz-Lima (2024), Dawkins (2007) e Recuero (2007). A metodologia adotada é qualitativa, considerando seus elementos visuais e textuais. Os resultados indicam que os memes analisados utilizam estratégias argumentativas, sobretudo, a ironia, além de fazerem uso de referências intertextuais para reforçar suas mensagens. A pesquisa destaca a importância dos memes na formação de identidades coletivas e na disseminação de discursos críticos, contribuindo para a compreensão das dinâmicas comunicativas da era digital. Justifica-se a relevância deste estudo diante do crescimento do uso de memes como forma de expressão social e política, além de auxiliar no desenvolvimento de pesquisas na área linguística textual.