- Research Article
- 10.14195/1984-249x_35_32
- Jan 12, 2026
- Revista Archai
- Rafael De Souza
O artigo examina as três definições de figura no Mênon de Platão, vinculadas ao método analítico da geometria. A primeira define em termos perceptuais (cores das superfícies), útil para identificação inicial, mas insuficiente para explicações racionais. A segunda abstrai a figura como limite de sólidos, oferecendo clareza, mas viola o critério de simplicidade ao explicar algo simples por algo complexo. A terceira, implícita, define pelas linhas que a delimitam, superando as anteriores ao usar um elemento simples com poder explanatório. A ordenação das definições reflete o método analítico da geometria e o método socrático de generalizações.
- Research Article
- 10.14195/1984-249x_35_34
- Jan 12, 2026
- Revista Archai
- Federico Casella
- Research Article
- 10.14195/1984-249x_35_28
- Jan 12, 2026
- Revista Archai
- Marco Ferreira + 1 more
Martha Nussbaum é uma das principais referências para o debate contemporâneo sobre a felicidade e o bem-estar humanos. Neste contexto, a obra de Nussbaum distingue-se, por um lado, pela sua interpretação e análise da filosofia antiga como uma terapia da alma vocacionada para o alcance da eudaimonia, e, por outro lado, pelo seu desenvolvimento, com Amartya Sen, da abordagem das capacidades, que se apresenta como um ideal de organização da sociedade, por forma a providenciar aos seres humanos um pleno desenvolvimento e florescimento. Apesar de intimamente relacionadas no seu propósito prático e transformador, estas duas visões de felicidade humana e dos meios para a alcançar divergem radicalmente, podendo até mesmo considerar-se contraditórias. Se na perspectiva da felicidade proposta pelas escolas helenistas a eudaimonia é uma tarefa individual, alheia a e independente de qualquer florescimento social ou coletivo, para a abordagem das capacidades o florescimento social ou coletivo é a verdadeira condição de possibilidade de qualquer florescimento individual. Neste ensaio discutiremos ambas as abordagens e procuraremos mostrar como estas não só são conciliáveis como se encontram mesmo estreitamente relacionadas no pensamento de Nussbaum, constituindo duas abordagens diferentes, mas complementares ao problema do florescimento humano e da procura filosófica da felicidade.
- Research Article
- 10.14195/1984-249x_35_30
- Jan 12, 2026
- Revista Archai
- Renan Eduardo Stoll
Neste artigo, analiso três condicionais que estão presentes nos livros E e Λ da Metafísica de Aristóteles. Os condicionais do livro E correspondem aos trechos 1026a10-13 e 1026a29-32, ao passo que o condicional do livro Λ corresponde ao trecho 1069a36-b2. Eu considero que o modo como interpretamos as implicações desses condicionais pode gerar uma tensão no que diz respeito à natureza da filosofia primeira e seu objeto de estudo. A fim de dissipar essa possível tensão, sugiro que, para Aristóteles, o escopo da filosofia primeira não estaria restrito às coisas separadas e imóveis, e proponho, nessa perspectiva, dois modos pelos quais as substâncias sensíveis podem ser consideradas.
- Research Article
- 10.14195/1984-249x_35_33
- Jan 12, 2026
- Revista Archai
- Luca Pitteloud
Cet article propose une relecture du passage 171a-b du Théétète de Platon à la lumière de la critique platonicienne du relativisme protagoréen. Il examine la structure et la portée de l’argument dit de l’« auto-réfutation » (peritrope), en suivant les analyses de Burnyeat et de Erginel. L’étude montre que cet argument ne consiste pas en une contradiction logique, mais en une réfutation dialectique qui met en évidence l’impossibilité pour le relativiste de défendre rationnellement sa propre position : en admettant la vérité de l’opinion selon laquelle le relativisme est faux, il détruit la validité de sa doctrine. Cette impossibilité dialectique révèle une fragilité constitutive du relativisme : celui-ci ne peut être formulé, transmis ni soutenu sans présupposer un espace commun de discours et des critères partagés de vérité. Dans la dernière partie, une mise en parallèle sera suggérée entre l’analyse platonicienne et les phénomènes contemporains de la post-vérité et du populisme démagogique, qui reposent sur la dissolution de cet espace commun et sur la substitution des faits par des croyances. Platon apparaît ainsi non comme le défenseur d’un dogmatisme archaïque, mais comme le penseur des conditions de possibilité du désaccord rationnel et du monde commun.
- Research Article
- 10.14195/1984-249x_35_31
- Jan 12, 2026
- Revista Archai
- Beatriz Saar
Este estudo tem como objetivo central examinar a posição da medicina no contexto do diálogo Filebo de Platão, focando, por um lado, na crítica que o filósofo faz à medicina, enquanto prática e ofício regulado por normas e procedimentos específicos, e, por outro, na maneira habilidosa com que ele recorre a algumas teorias médicas, adaptando-as para seus próprios propósitos. A primeira parte da análise busca compreender as razões pelas quais Platão critica a medicina no Filebo, especialmente na passagem 56b1, em que a inclui entre as atividades que envolvem “muita imprecisão e pouca certeza”. Essa crítica, como se demonstrará, está profundamente relacionada ao método da medicina. Nesse sentido, será importante destacar que, ao criticar a medicina, Platão não busca estabelecer uma rivalidade entre a filosofia e a prática médica, mas sim questionar a pretensão da medicina de se apresentar, algumas vezes, como o melhor e único modus vivendi. A segunda parte do estudo, por sua vez, se concentra em analisar as influências da medicina sobre a teoria platônica do prazer, especialmente no que diz respeito ao conceito de prazer como um processo de preenchimento. Para isso, recorre-se a textos hipocráticos, como Sobre as Doenças IV, Sobre a Natureza do Homem e Sobre a Medicina Antiga. Por fim, através da comparação de termos-chave recorrentes, destacam-se as semelhanças e as diferenças entre a concepção médica e a concepção de Platão sobre o prazer.
- Research Article
- 10.14195/1984-249x_35_29
- Jan 12, 2026
- Revista Archai
- Sérgio Luiz Gusmão Gimenes Romero
Este trabalho discute o embate religioso entre cristãos e pagãos no século III EC a partir de um fragmento de Contra os cristãos, de Porfírio de Tiro, citado por Eusébio de Cesareia. O foco é a culpabilização dos cristãos pela crise do terceiro século, especificamente no que diz respeito à Praga de Cipriano, pandemia que assolou diversas regiões do Império e impulsionou a hostilidade contra os adeptos da fé cristã. Emprega-se a noção de ideologia como categoria de análise, tendo em vista o indissociável nexo entre aspectos materiais e espirituais da vida social.
- Research Article
- 10.14195/1984-249x_35_24
- Nov 21, 2025
- Revista Archai
- Daniel Nascimento
According to the dominant interpretation of the distinction between capacities that are “without-λόγος” (ἄλογοι) and capacities that are “with-λόγος” (μετὰ λόγου, Met., IX 2,1046a34-b2), the latter would be unique to human beings. We can find four arguments in defense of that thesis in the secondary bibliography. This article begins to mount a defense of an alternative reading of Aristotle’s theory that deals with two of these arguments. It will be succeeded by a second article that will deal with the other two arguments and present a positive argument for the alternative reading that tries to make it seem plausible - although not unassailable - in light of its own merits. According to this alternative reading, it is with the framework provided by Aristotle to explain the functioning of bidirectional capacities that we must explain the functioning of the capacity responsible for producing voluntary locomotion in all animals.
- Research Article
- 10.14195/1984-249x_35_23
- Nov 21, 2025
- Revista Archai
- Maddalena Bonelli
Cet article traite de l’une des sources principales de l'Antiquité pour la reconstruction de la vie et des doctrines des femmes philosophes: Diogène Laërce. L'objectif est de montrer que Diogène nous présente des portraits de femmes qui méritent d’être incluses dans le canon philosophique antique et étudiées dans l’histoire de la philosophie.
- Research Article
- 10.14195/1984-249x_35_25
- Nov 21, 2025
- Revista Archai
- Ronaldo Amaral
Na Antiguidade greco-romana, notadamente no bojo do pensamento filosófico, o sonho constitui a interface entre o mítico-religioso e o psíquico-racional, algumas vezes indicando seu conflito, outras vezes seu lugar de intersecção. No entanto, se divinos, tendem a ser beneficentes, prevendo tragédias ou inclusive permitindo a aplicação de terapias curativas; se relativos às vicissitudes próprias da psique, tendem a ser malsãos e tanto do ponto de vista de um desvio ou obnubilação da razão desperta, quanto, e como seu corolário, da incapacidade de exercer o conhecimento e acessar o real. Sêneca, demonstrar-se-á aqui, é o porta-voz dessa última perspectiva.