- Research Article
- 10.15448/1984-6746.2026.1.47922
- Mar 23, 2026
- Veritas (Porto Alegre)
- Ir Evilazio Borges Teixeira
O que dizer quando se fala de mística e psicanálise? Trata-se de um tema problemático e carregado de equívocos, uma espécie de “confusão infinita”, que envolve dimensões menos conscientes de nosso psiquismo. Os fenômenos envolvidos são muito variáveis e, portanto, imprecisos na definição desse tipo de expêriencia. O que se pode observar é o aspecto externo do fenômeno, aquilo que é visível; porém, o não visível, aquilo que é interior, por ser subjetivo e irrepetível, foge à analise. E, portanto, a vivência se torna a chave de leitura de compreensão. Por exemplo, quando falamos do amor, não pode ter uma ideia do amor quem nunca amou. Só quem já se apaixonou pode compreender o estado de espírito de um amante. O mesmo se pode dizer de uma experiência mística. Falar do místico, portanto, remonta a uma necessidade vital que tem a ver com a percepção do mundo como totalidade limitada de fatos. E isso, se deve à razão de que nenhum pensador, seja ele filósofo, teólogo, ou psicanalista, ou mesmo um sujeito religioso, conseguiu expressar de modo decisivo a consciência da realidade a que se refere em sua experiência que trascende as representações que oferece. Isso significa dizer que o místico, revela que, para alcançar o Outro, faz-se necessário experimentar o nada. Trata-se de um trabalho de desapropriação e de descentrar-se de si mesmo.
- Research Article
- 10.15448/1984-6746.2026.1.44273
- Mar 23, 2026
- Veritas (Porto Alegre)
- Roberto S Kahlmeyer-Mertens + 1 more
O artigo tem por tema a unidade na multidimensionalidade humana desde a compreensão de dois pensadores contemporâneos, Max Scheler e Viktor Frankl. O texto explora a situação humana como uma unitas multiplex ao articular a antropologia filosófica com a ontologia dimensional, projetos filosóficos de cada um dos pensadores, respectivamente. Nosso problema é: como preservar a unidade antropológica sem reduzir as dimensões somática, psíquica e noética a um único aspecto? Como apresentamos, Frankl, a partir da interpretação de Scheler (para quem a pessoa é o centro irredutível dos atos espirituais), compreenderá o humano como capaz de autodistanciamento e autotranscendência, por meio das “leis” da projeção dimensional, pretendendo sustentar o papel unificador da pessoa espiritual. A contribuição dessa releitura de Scheler, feita por Frankl, é observada no sentido de um avanço teórico, à medida que as contradições encontradas ao se interpretar o fenômeno humano decorrem de projeções em níveis inferiores, mas se recompõem quando vistas a partir do nível noético. Depreendemos, portanto, que Frankl tem mérito em mostrar também que a liberdade e a responsabilidade emergem da situação espiritual de abertura ao mundo (Weltoffenheit), permitindo uma interpretação não reducionista do sofrimento humano e a busca por significado. Desde a visada da ontologia dimensional, é possível compreender, com Frankl, que o humano é uma abertura real, resultante de suas escolhas.
- Research Article
- 10.15448/1984-6746.2026.1.47809
- Mar 23, 2026
- Veritas (Porto Alegre)
- Daniela Honorio De Sousa Brito + 1 more
O problema desta investigação é a falta de profundidade teórica referente ao Verdadeiro, ao Belo e ao Bom na prática da Educação. O pressuposto desta pesquisa é a possibilidade de surgimento de ideias concernentes ao Verdadeiro, ao Belo e ao Bom na Filosofia da Educação. O objetivo é destacar reflexões sobre o Verdadeiro, o Belo e o Bom que favoreçam a Filosofia da Educação. A fundamentação teórica se alicerça em Gardner (1999, 2012), MacIntyre (2001), Maritain (1967, 1968, 1998), Sucupira-Lins (2013, 2014) e Von Hildebrand (2021a, 2021b, 2021c, 2016). A metodologia utilizada é a hermenêutica de Paul Ricoeur (1990), que exige interpretação do texto com rigor científico. Os dados observados apontam para contribuições dos universais Verdadeiro, Belo e Bom à Filosofia da Educação.
- Research Article
- 10.15448/1984-6746.2025.1.48552
- Mar 11, 2026
- Veritas (Porto Alegre)
- Gabriela Nascimento
A discussão sobre a justiça social possui o tema da linguagem como tópico importante para pensar a intersubjetividade. Tal afirmação é observada pela teoria crítica a partir da reabertura do Instituto de Pesquisa Social na Frankfurt de 1950, quando desaparece a pretensão de união entre pesquisa empírica e reflexão filosófica característica das décadas anteriores e emerge o interesse pela intersubjetividade da ação social. Essa nova direção é protagonizada por Habermans e pode ser entendida também como uma espécie de sintoma do que se entende por virada linguística em filosofia. A virada linguística inicia em meados de 1920, através da filosofia de Wittgenstein e retoma, em muito, o pensamento idealista alemão. O presente texto aborda como o pensamento de Fichte, especialmente em Da Capacidade Linguística e da Origem da Linguagem (1793), indispensável para o futuro acontecer da virada linguística em filosofia, apresenta-se também como de grande importância para a teoria crítica.
- Research Article
- 10.15448/1984-6746.2025.1.48659
- Feb 26, 2026
- Veritas (Porto Alegre)
- Gonzalo Velasco
Scientific knowledge evolves by the substitution of older hypothesis and theories when they are proved wrong or incomplete. However sometimes the consequences of accepting alternative theories can shake the worldview and convictions of some scientists. We discuss that, sometimes, scientists cling to their ideas in the same way they accuse religious people to embrace their dogmatic principles and that is contradictory to the philosophy of science and prevents science from advancing. Two emblematic cases in natural sciences are used as examples.
- Research Article
- 10.15448/1984-6746.2025.1.48622
- Feb 9, 2026
- Veritas (Porto Alegre)
- Viviane Veloso Pereira Rodegheri
No verso B 7,3, a deusa do poema de Parmênides faz votos para que o hábito multiexperiente não force (biásthō) o jovem mortal a uma via que não existe. Por outro lado, ao indicar em B 8,12 que a fé está vinculada à força (iskhýs), o filósofo emprega outro termo para exprimir uma ideia similar. Quais são os sentidos que estes vocábulos podem assumir diante do fato de Parmênides optar por adotá-los de formas distintas ao se referir à força? A presente exposição visa à argumentação de que tais preferências não são aleatórias, mas dependem do contexto no qual estão imbuídas. Com efeito, enquanto na primeira ocasião é possível identificar um apelo à força bruta como forma de violência, na segunda oportunidade na qual a noção de “força” se revela Parmênides utiliza o termo “iskhýs”, que se coaduna mais com propriedades como “poder”, “validade” ou “dever”. Em ambos os cenários, o jovem iniciado constitui um agente de ações que é impactado pela força diferentemente.
- Research Article
- 10.15448/1984-6746.2026.1.48488
- Jan 19, 2026
- Veritas (Porto Alegre)
- Elton Somensi De Oliveira + 1 more
O presente estudo analisa o direito à liberdade religiosa a partir da concepção presente na Declaração Dignitatis Humanae do Papa Paulo VI e daquela apresentada pelo jusfilósofo John Finnis. Nesse recorte, é assimilada a razão do referido direito na sua identificação com a busca à verdade e, a partir disso, são apreciados aspectos do referido documento da Igreja Católica Apostólica Romana e do jusnaturalismo contemporâneo de John Finnis para compreender o direito à liberdade religiosa como imunidade individual e coletiva diante de coerções. Ao final, extraem-se dessas abordagens parâmetros distintos daqueles que usualmente doutrina jurídica nacional costuma referir e, com isso, esboça-se análise crítica de decisões da jurisprudência constitucional brasileira recente.
- Research Article
- 10.15448/1984-6746.2025.1.47638
- Jan 16, 2026
- Veritas (Porto Alegre)
- José Eduardo Pimentel Filho
Neste artigo buscaremos revisar o ponto considerado inaugural da “Filosofia da Educação” nos gregos, com um especial enfoque crítico na filosofia platônica. Esta revisão será realizada a partir de duas fórmulas extraídas de dois pensadores contemporâneos: Jacques Rancière e Michel Foucault. De Rancière extrairemos a fórmula do “desentendimento”, proposta no livro O Desentendimento (1995). Reconheceremos seu escopo político e utilizaremos seu modus operandi para realizar nossa crítica à “Filosofia da Educação”. E com Foucault buscaremos, a partir da leitura apresentada no curso Hermenêutica do Sujeito, a fórmula do sujeito [mal]educado. Partindo desta fórmula, entenderemos como a figura de Alcibíades serviu (para Platão) como dispositivo legitimador para a negação da pedagogia grega e a fundação de uma “Filosofia da Educação”. Munidos destas fórmulas, buscaremos compreender como a antiguidade (em especial Platão) cooptou e invisibilizou a educação, tal como ela deveria ocorrer na Atenas do século V, em nome de um projeto filosófico.
- Research Article
- 10.15448/1984-6746.2025.1.47720
- Jan 16, 2026
- Veritas (Porto Alegre)
- Kênio Angelo Dantas Freitas Estrela
Este artigo defende uma versão moderada do holismo semântico, com base na proposta de Henry Jackman. Após distinguir atomismo, molecularismo e holismo como posições fundamentais sobre o significado, o texto apresenta as origens e críticas ao holismo radical — especialmente os argumentos de Fodor e Lepore contra a tese de instabilidade. Em seguida, analisa três modelos contemporâneos que reformulam o holismo sem incorrer em seus compromissos mais problemáticos: Ted Warfield, com a noção de superveniência inferencial; Peter Pagin, ao compatibilizar holismo e composicionalidade; e Jackman, que desenvolve um contextualismo metasemântico robusto. A tese defendida é que os significados linguísticos dependem de redes conceituais e contextuais, mas sem exigir interdependência irrestrita entre todos os elementos da linguagem. O modelo de Jackman destaca-se por introduzir o peso relativo das crenças, o princípio de caridade e a expectativa de convergência interpretativa, explicando como a estabilidade semântica é preservada mesmo diante da variabilidade contextual. O artigo apresenta formalizações que modelam o significado como função de contexto e crenças, e como conjunto ponderado de inferências relevantes. Essas ferramentas analíticas são aplicadas a fenômenos linguísticos evidenciando o poder explanatório da proposta. Ao articular significado, contexto e práticas discursivas, o holismo semântico moderado emerge como uma alternativa teórica sólida e refinada para compreender a dinâmica semântica das línguas naturais.
- Journal Issue
- 10.15448/1984-6746.2026.1.
- Jan 9, 2026
- Veritas (Porto Alegre)