- Research Article
- 10.5902/1679849x74937
- Jul 6, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Elcio Cornelsen
Nossa contribuição visa à apresentação de considerações sobre o ensaio “Der Autor als Produzent” (“O autor como produtor”), escrito por Walter Benjamin em abril de 1934 como texto para uma conferência proferida pelo escritor diante de um público operário, quando se encontrava exilado na capital francesa. Sem dúvida, “O autor como produtor” é um dos ensaios em língua alemã mais significativos do período de exílio, pois documenta não só o engajamento político de Walter Benjamin em sua luta contra o fascismo alemão, como também a profunda cisão que se estabelecera dentro do âmbito político da esquerda alemã desde o final da Primeira Guerra Mundial, entre o Partido Social-Democrata da Alemanha e o Partido Comunista Alemão. Além disso, Walter Benjamin propõe uma série de categorias para se pensar a relação entre escritor e sociedade: por um lado, aqueles verdadeiramente “produtores” enquanto “escritores progressistas” (fortgeschrittene Schriftsteller), e “escritores operativos” (operierende Schrifsteller), capazes de transformar os meios de produção, e, por outro, aqueles rotulados de “escritores burgueses de esquerda” (linksbürgerliche Schriftsteller), considerados como escritores “rotineiros” (Routiniers), que se solidarizariam com o operariado apenas no plano das idéias, mas não no plano da ação revolucionária. Em seu ensaio, Benjamin não poupa críticas a grandes figuras do cenário literário alemão, como, por exemplo, Kurt Hiller, Erich Kästner, Walter Mehring, Kurt Tucholsky e Alfred Döblin, enquanto elege Bertolt Brecht, o músico e compositor Hanns Eisler e o artista plástico John Heartfield como autênticos representantes da literatura e da arte progressista. Por assim dizer, o texto de Benjamin espelha o quadro multifacetado em que se encontrava a esquerda alemã no exílio e evidencia o posicionamento do próprio escritor enquanto “produtor”, “operativo” e “progressista”.
- Research Article
- 10.5902/1679849x74941
- Jul 6, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Luiz Roncari
Ensaio
- Research Article
- 10.5902/1679849x74943
- Jul 6, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Roberto Círio Nogueira
Ensaio embasado na estética do choque, formulada por Walter Benjamin, que aborda alguns recortes de quatro contos de Caio Fernando Abreu (“Gravata, “Retratos”, “Ao simulacro da imagerie” e “Uma veste provavelmente azul”), no intuito de demonstrar como a vivência do choque é intrínseca a estas histórias, cujos personagens são incapazes de elaborar uma experiência de modo totalizante.
- Research Article
- 10.5902/1679849x74940
- Jul 6, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Georg Otte
Enquanto a questão da história é um dos temas mais discutidos na obra de Walter Benjamin, a da natureza ocupa um lugar marginal na crítica benjaminiana. No entanto, o presente ensaio procura mostrar que, com a redução do papel do sujeito na modernidade, aumenta a importância de uma natureza que escapa ao seu controle. Com a rejeição de um conceito progressista de história, os acontecimentos, para Benjamin, parecem obedecer muito mais a processos conhecidos das ciências naturais do que às projeções políticas de uma sociedade moderna.
- Research Article
- 10.5902/1679849x68891
- Apr 1, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Marcos Antônio Fernandes Dos Santos
Maria Firmina dos Reis, escritora maranhense do século XIX, foi uma mulher à frente de seu tempo e que rompeu muitos paradigmas, principalmente por ser mulher e se empenhar no exercício da escrita. No auge da escravidão no Brasil, escreveu e questionou sobre o sistema escravagista. Este artigo tem como objetivo investigar traços da dissonância através do discurso da escritora, nas obras Úrsula e A escrava. A metodologia utilizada é de base bibliográfica, caracterizada como análise-crítica. Para a construção teórica, utilizou-se autores como Antônio Candido, Mikhail Bakhtin, Maria Lúcia Mott, entre outros. Uma escritora negra falando sobre a escravidão, sob o viés abolicionista em pleno o século XIX, é a renovação da esperança em dias melhores e a atualização necessária aos moldes literários vigentes na época. É também o prenúncio da conquista de espaço que muitos tipos humanos não tinham e conquistaram com o passar dos tempos.
- Research Article
- 10.5902/1679849x68903
- Apr 1, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Emanuelle Souza Alves Da Silva + 1 more
O presente artigo traz a obra Os sonâmbulos (1932), de Hermann Broch, com a intenção de explorar aspectos estéticos nela contidos que revelam conhecimentos acerca da condição humana no contexto da Primeira Guerra Mundial. A partir da discussão de Milan Kundera sobre o fazer romanesco, pretende-se esboçar de que modo essa problemática é tratada como hipótese ontológica do romance brochiano, norteando o conflito que reflete a respeito da natureza e decadência dos valores ocidentais observados em tempos de guerra. A partir da teoria de Broch sobre a decadência dos valores, é possível entender de que modo a Alemanha deu abertura para o sistema totalitário nazista. Para contemplar essa reflexão, a investigação aqui proposta está norteada pela teoria da Epistemologia do romance, cujo constructo é pautado no diálogo entre filosofia e literatura.
- Research Article
- 10.5902/1679849x68897
- Apr 1, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Stefan Willian Oliveira Da Silva + 1 more
Este artigo compreende o estudo do livro Jantar Secreto (2016), de Raphael Montes, que tem como temática central o canibalismo. Buscou-se estabelecer uma relação entre o livro de Montes e o conceito de necropolítica, desenvolvido por Achille Mbembe, no sentido de ressaltar uma metáfora social da higienização, associada à ideia de necropolítica e violência. A necessária distinção entre os termos canibalismo e antropofagia também foi desenvolvida. Assim, foi possível contextualizar a obra de Montes como representativa da realidade pós-moderna, retratada em seus aspectos mais sombrios, através dos recursos narrativos hiperbólicos.
- Research Article
- 10.5902/1679849x69006
- Apr 1, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Danglei Castro Pereira
O presente estudo discorre sobre a importância dos processos narrativos na representação do negro e da escravidão na obra da maranhense Maria Firmina dos Reis (1822-1917). Para tanto, tomamos como corpus específico o conto “A escrava”, publicado em 1887. Buscaremos evidenciar ainda a presença da ironia romântica como um aspecto que ocupa lugar de destaque nos procedimentos estilísticos na obra completa de Maria Firmina dos Reis (2018). Utilizamos como principal recurso teórico não apenas o conceito de ironia romântica, conforme Kierkegaard (1991), e, o de chiste, segundo Suzuki (1998), entre outros, como também procedimentos de representação literária relacionados à figura do negro escravizado na narrativa da autora em questão. É premissa deste estudo então demonstrar os aspectos estéticos da narrativa de Maria Firmina dos Reis que, entendemos, revelam as especificidades de sua obra no contexto da historiografia literária brasileira. Um desdobramento desta análise é a ampliação dos limites fixos do cânone literário brasileiro, aspecto teórico que valoriza a percepção da heterogeneidade do romantismo brasileiro e, na medida do possível, promove a contínua revisão e ampliação do cânone literário no Brasil.
- Research Article
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- 10.5902/1679849x66347
- Apr 1, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Sandra Reimao + 2 more
Esse artigo aborda as tentativas de censura a livros, no Brasil, nos anos de 2019 e 2020. Entende-se por censura a livros qualquer ação que vise dificultar, limitar ou constranger a redação, impressão, divulgação, distribuição, comercialização ou aquisição de livros. Esse artigo está organizado em quatros blocos: 1) censura a livros – 2015-2018 – o prenuncio; 2) Censura a livros em 2019 - Investidas contra duendes, bruxas, cultura africana e educação sexual e outros casos; 3) Censura em Rondônia e outros eventos em 2020 e 4) atos de resistência. O percurso percorrido deixa claro que o governo de Jair Bolsonaro busca consolidar-se através de um discurso de intolerância e ódio. Os casos de censura a livros que citamos neste estudo demonstram que proliferam atualmente no Brasil atitudes intolerantes e autoritárias que se somam e tentam construir uma cultura de vigilância e censura. Por outro lado, as vozes da resistência estão agindo, estão se fazendo presentes de forma contundente.
- Research Article
- 10.5902/1679849x67993
- Apr 1, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Gladir Da Silva Cabral + 1 more
Este artigo apresenta uma análise da canção “Meu Guri”, de Chico Buarque de Holanda, focando na tensão que há entre a inocência infantil e a experiência, ou a perda da infância, na voragem das desigualdades sociais e da violência urbana. Aponta também para a invisibilidade da mulher pobre, sua condição vulnerável diante da opressão social. A partir de referencial teórico apoiado em Adélia Meneses, bell hooks, Walter Benjamin, Grada Kilomba, Djamila Ribeiro, entre outros, a análise tenta apreender o impacto da ironia de Chico, seus recursos poéticos, seu jogo de linguagem, enquanto desfia o sofrimento patético da persona da canção. Quarenta anos se passaram e a canção não perdeu sua relevância, muito pelo contrário. Tristemente, vivemos num país em que as desigualdades sociais, a intolerância e o desrespeito à mulher e à criança apenas aumentaram. Fica valendo a denúncia do poeta, o chamado ao olhar: “Olha aí! Olha aí!”