- Research Article
- 10.5902/1679849x74692
- Sep 13, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Elisa Hickmann Nickel
O texto abaixo compara, pela ótica do funcionário público, três personagens: Augusto Machado, Gonzaga de Sá e Belmiro. Os dois primeiros são criações do escritor Lima Barreto (1881 – 1922) e aparecem em Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, publicado em 1919. O terceiro é o protagonista do mais conhecido romance de Cyro dos Anjos (1906 - 1994), O Amanuense Belmiro (1937). Essa comparação é parte do projeto de mestrado que analisa a distância entre o tipo ideal burocrático de Max Weber(1864 - 1920), a administração pública brasileira e a obra dos dois autores, procurando entender de que forma o patrimonialismo dominante no período é retratado por eles, bem como as razões da dificuldade de romper com ele. A dissertação aborda também as obras Bagatelas, Coisas do Reino do Jambon e Os Bruzundangas, de Lima Barreto, publicadas postumamente em 1923, 1953 e 1923, respectivamente, além de A Menina do Sobrado (1979), de Cyro dos Anjos. O texto a seguir, porém, se volta para o universo literário desses dois romances, constatando a predominância de patrimonialismo e de relações de favor no meio burocrático em que os três personagens funcionários públicos vivem. Em seguida, procura entender de que forma os três personagens reagem a isso, percebendo uma grande diferença nela. Finalmente, a partir das conclusões dessa análise, o texto retoma a questão da ação no mundo, da importância de pensar e se posicionar sobre os acontecimentos históricos, sociais e políticos de nossa época.
- Research Article
- 10.5902/1679849x74760
- Sep 13, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Grasiela Lourenzon De Lima
A literatura brasileira contemporânea tem sido marcada pela estetização da violência, a qual está na base da série social. Cada vez mais os estudos literários e o próprio fazer literário têm demonstrado preocupação com os problemas ligados ao acesso à voz e a representação dos múltiplos grupos sociais. Nesse sentido, o propósito deste trabalho está centrado na observação de como a violência se manifesta no conto “O cobrador” (1979), de Rubem Fonseca e no livro O matador (1995), de Patrícia Melo. Através de uma análise da caracterização de seus personagens, busca-se fazer um paralelo entre os dois textos, no intuito de verificar quais os elementos que denunciam o crime, a violência e a desigualdade social presente nos grandes centros urbanos. Para o estudo da violência nestes textos tomam-se como referencial teórico em autores como Fábio Lucas (1976) e Vladimir de Souza (2007)
- Research Article
- 10.5902/1679849x74931
- Sep 13, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Roberson Rosa Dos Santos
O presente trabalho parte de um interesse pelas narrativas de si a um outro na obra “Os Sofrimentos do Jovem Werther”. Constata-se a pertinência das relações entre o narrador e o destinatário da escrita, relações estas que serão abordadas ao longo do texto. A base norteadora é a temática do “outro em si” no romance acima mencionado. Esta escolha parte da investigação sobre a necessidade de um interlocutor na escrita sobre si. Por isso, situa-se as características do “gênero” epistolar como forma de escrita, bem como a importância das cartas na época: meio de comunicação e estratégia de aproximação entre as pessoas. Ao tratar das escritas de si a partir do método epistolar, chega-se ao gênero autobiográfico. Este consiste em um narrador que conta sua história, revive e permite ver-se no papel, no imaginário. A escrita, assim, aparece como um lugar onde o eu que escreve sobre si ao mesmo tempo necessita da referência de um outro. A escrita de si é um meio de se ver de fora a partir de dentro, sendo que o dentro e o fora partem do mesmo ponto. Com tudo isso, o objetivo do trabalho é investigar como se dá a permanente influência do outro sobre o personagem Werther, tanto na escrita de si como na constituição do eu. As cartas de Werther são uma forma de expressão do íntimo que necessita uma confirmação por parte do outro. Essa influência advinda do outro está presente nos mais diversos contextos.
- Research Article
- 10.5902/1679849x74757
- Sep 13, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Anderson Amaral De Oliveira
Este trabalho estabelece relações entre a obra literária “O Rey de Havana” de Pedro Juan Gutierrez e o documentário “Ilha das Flores” de Jorge furtado através da leitura alegórica dos problemas sociais apresentados em sistemas políticos distintos. De um lado a vida de Rey, oprimido pela miséria do submundo de Cuba socialista, e de outro, famílias que disputam alimentos recusados por porcos em um depósito de detritos no Brasil, igualmente oprimidos pela miséria, essa imposta pelo sistema democrático capitalista. Assim, esta leitura alegórica permite a reflexão e o questionamento para além dos termos ficcionais, tomando novo fôlego sempre que houver injustiça social.
- Research Article
- 10.5902/1679849x74762
- Sep 13, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Adriana Maria Romitti Albarello
O trabalho enfoca a memória como resgate da identidade do sujeito, numa sociedade fragmentada, em que as relações pessoais estão cada vez mais instáveis. A partir da análise comparativa das obras Essa terra (1976) e Pelo fundo da agulha (2006), de Antonio Torres, mostra-se o migrante em busca de melhores condições de vida e mais tarde dividido entre dois mundos, sem sonhos e sem expectativas.
- Research Article
- 10.5902/1679849x74944
- Jul 6, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Gabriela Ruggiero Nor
O trabalho tem como objetivo discutir a percepção da cidade moderna a partir da análise conjunta do texto Espelhos, de Walter Benjamin, e da crônica Brasília, de Clarice Lispector. No texto analisado, Walter Benjamin discorre a respeito da profusão de espelhos na cidade de Paris, relacionando sua presença a ilusões óticas acerca dos espaços citadinos. Para o filósofo, os espelhos funcionam como instrumento para que haja um completo abalo da percepção do indivíduo, através da dissolução dos limites entre o real e o ilusório e do aprofundamento dos espaços. As considerações de Benjamin em torno do objeto espelho vêm ao encontro de suas teorias sobre a modernidade e o choque, além de se relacionarem ao conceito de fantasmagoria, conforme proposto por Theodor Adorno. A cidade, um dos temas mais caros ao frankfurtiano, é tema de crônica de Clarice Lispector, Brasília, parte da coletânea Para não esquecer, em que a autora descreve, perplexa, suas impressões sobre o local. Carregado de negatividade, o texto Brasília se presta a análises benjaminianas, constituindo matéria exemplar para o estudo da percepção do indivíduo no contexto moderno e da predominância do aspecto imagético no ambiente urbano. Dessa forma, tanto o texto de Walter Benjamin quanto o de Clarice Lispector convergem para um entendimento da cidade a partir do olhar. O trabalho centra-se, assim, no exame desta temática no referido texto de Walter Benjamin, análise que será pontuada pelo estudo da crônica de Clarice Lispector.
- Research Article
- 10.5902/1679849x74933
- Jul 6, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Jaime Ginzburg
Apresentação
- Research Article
- 10.5902/1679849x74945
- Jul 6, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Thiago Dos Santos
O presente trabalho pretende ressaltar problemas da Modernidade em um poema de Carlos Drummond de Andrade, Canto ao Homem do Povo Charles Chaplin. Para isso, faz-se uso da imensa contribuição de Walter Benjamin com categorias fundamentais para a interpretação, a partir de uma abordagem interdisciplinar que considera literatura e sociedade.
- Research Article
- 10.5902/1679849x74938
- Jul 6, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Sabrina Sedlmayer
Este ensaio aproxima o romance Sinais de fogo, de Jorge de Sena, à Tese VI de Sobre o conceito de História, de Walter Benjamin, particularmente no que tange ao alerta, dado por ambos os autores, à aproximação dos regimes totalitários na Europa. O exílio do autor português no Brasil é relacionado a uma inflexão genológica, já que é no início da década de 60 do século XX que Sena sedimentará a sua escrita em prosa. Pretende-se, através da leitura do conto “Homenagem ao papagaio verde”, demonstrar a ironia e ambivalência do vínculo de Jorge de Sena com a nação brasileira que também estava prestes a se submeter à Ditadura Militar.
- Research Article
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- 10.5902/1679849x74942
- Jul 6, 2023
- Literatura e Autoritarismo
- Eduardo Sterzi
Críticos diversos identificaram na obra de Murilo Mendes uma “lírica” ou uma “poética do choque”. Neste ensaio, busca-se verificar, com apoio na estética depreendida dos escritos críticos de Walter Benjamin, como o choque (categoria benjaminiana por excelência) revela-se de fato fundamental para uma leitura renovada de Murilo. Esta leitura passa pelo exame dos modos próprios como, nesta obra, se dá a dialética, bem descrita por Benjamin, entre choque e aura, assim como pelo discernimento da subordinação dessa dialética à exploração do sublime moderno, que define em grande parte a singularidade de Murilo no quadro da literatura brasileira do século XX.