- Research Article
- 10.17231/comsoc.49(2026).6812
- Feb 27, 2026
- Comunicação e Sociedade
- Jorgiana Melo De Aguiar Brennand + 2 more
Madureira é um dos bairros mais pulsantes do subúrbio da cidade do Rio de Janeiro. Palco de ocupações criativas na rua, Madureira revela-se como um espaço concreto e imaginado, atravessado por memórias, afetos e práticas cotidianas que reinventam suas ruas, praças e viadutos, como o Negrão de Lima, considerado a principal via de acesso ao bairro. Aos sábados, o baixio daquele espaço se transforma na Feira das Brecholeiras, evento que comercializa artigos novos e usados a preços atrativos. O objetivo deste artigo é discutir a forte conexão da feira com Madureira, considerada o coração simbólico do subúrbio carioca. Investigamos como essa relação é narrada por meio da análise de postagens, reels e stories, publicados, entre 29 de julho e 31 de agosto de 2025, nos canais oficiais de divulgação do evento: duas páginas no Facebook (Brecholeiras e Brecholeiras – CUFA Madureira/RJ Vitrine Virtual) e um perfil no Instagram (@brecholeirasoficial). Avaliamos também alguns conteúdos veiculados no YouTube por outros canais, por entendermos que funcionam como espaços para divulgação do evento e do território urbano de Madureira. O estudo foi conduzido a partir da articulação entre levantamento bibliográfico e análise da narrativa, com foco na construção e representação do dia a dia de Madureira nas postagens analisadas. Buscamos, assim, identificar narrativas que evidenciam a conexão entre o evento e Madureira, revelando como um divulga o outro em suas vivências cotidianas. Em conclusão, identificamos narrativas que revelam a conexão entre a Feira das Brecholeiras e o bairro, explicitando que ambos se promovem e se complementam mutuamente.
- Research Article
- 10.17231/comsoc.49(2026).6781
- Feb 23, 2026
- Comunicação e Sociedade
- J Joynes + 1 more
A digital presence is crucial for civic recognition since globalisation and digitalisation have altered how regions are portrayed. This article examines two environmental justice movements in the same state in Tamil Nadu, India: the Kudankulam anti-nuclear resistance movement and the Thoothukudi anti-Sterlite resistance movement. The study employs a mixed-methods design, including a quantitative analysis of 400 social media posts (200 from each protest) and qualitative audience interviews. The analysis reveals disparate levels of engagement on digital platforms. The Thoothukudi protest had broad attention through arresting images of police violence disseminated by verified accounts in India. In comparison, the Kudankulam protest was constrained by technical issues given its rural and coastal location. The quantitative analysis reveals that emotion, rather than logic, is an essential factor in engagement. Qualitative analysis shows that the origin of a protest, whether rural or urban, influences how people assess its importance and whether they believe it deserves attention online. By demonstrating how protest movements shape the audience’s perceptions of a place as either marginal “anti-development” spaces or cosmopolitan centres of resistance, the study contributes to the epistemic discussion on digital communication practices and territorial branding. It argues that communicative justice and environmental justice are inextricably linked, emphasising the need for inclusive representational tactics that balance democratic citizenship, fairness, and territorial branding.
- Research Article
- 10.17231/comsoc.49(2026).6471
- Jan 23, 2026
- Comunicação e Sociedade
- Leonardo Aboim Pires
Sem compreender os fundamentos políticos e a viragem cultural que se operou na Revolução dos Cravos, não seria possível analisar as respostas dadas pelo novo poder no domínio da comunicação social, um dos vetores estruturantes da realidade revolucionária. O exercício da democracia encontra-se conectado com a prática da liberdade de expressão, capacidade fomentadora do debate público, que, consequentemente, se torna numa das bases para o funcionamento da política. Tendo presente este enquadramento, o artigo analisa esta realidade, explorando a convergência entre a imprensa periódica de natureza política e os modos como esta foi concebida, mobilizada e instrumentalizada enquanto ferramenta de orientação e enquadramento de um estrato social específico: as classes rurais. Ao privilegiar o estudo dos jornais, revistas e boletins dos partidos políticos então existentes, bem como de algumas publicações produzidas ou patrocinadas pelo Estado, propomos compreender as formas específicas de comunicação política que a imprensa tornou possíveis entre 1974 e 1975, tanto no plano discursivo como no plano visual. Esta abordagem permite problematizar a imprensa como veículo de informação e como dispositivo de construção de sentidos, de mobilização e de disputa num período de profunda reconfiguração política e social. Metodologicamente, são combinadas técnicas de crítica textual, estudo das linguagens visuais e procedimentos de análise do discurso, articulando-as com uma contextualização histórica do processo revolucionário. Esta triangulação analítica possibilita identificar padrões de representação, estratégias de interpelar públicos específicos, em particular o público rural, e modos de legitimação das posições políticas em confronto. Este artigo permite, assim, aprofundar a compreensão sobre o papel da imprensa na formação de públicos políticos, na circulação de narrativas concorrentes e na cristalização de categorias sociais durante a revolução.
- Research Article
- 10.17231/comsoc.48(2025).7061
- Dec 29, 2025
- Comunicação e Sociedade
- Rita Araújo + 2 more
[Excerto] O jornalismo é central para a sociedade e para a forma como “vemos o mundo, a nós próprios e aos outros” (Wahl-Jorgensen & Hanitzsch, 2009, p. 3), para além de ser essencial nos processos de tomada de decisão e no exercício do poder. Ao definir a agenda, os jornalistas influenciam o debate público e privado; determinam que assuntos são (mais) importantes e em quais o público deve pensar. Assim, o jornalismo desempenha um papel central nas sociedades democráticas. De facto, a relação intrínseca entre o jornalismo e a democracia tem sido extensivamente documentada (e.g., Deuze, 2009; Kovach & Rosenstiel, 2003/2004; Singer, 2003; Zelizer, 2012) e contribui para a importância de estudar o jornalismo e os jornalistas, bem como as realidades que tornam visíveis e, por extensão, invisíveis. Ao mesmo tempo, as conceções normativas do jornalismo vão além das noções de democracia. Por exemplo, o ideal da objetividade e a correspondente visão normativa do jornalismo requerem que os jornalistas não sejam, eles próprios, notícia. Entende-se que é pouco profissional falar sobre si próprio ou sobre os problemas da profissão, pois pode comprometer o distanciamento e a objetividade dos jornalistas. Com efeito, tradicionalmente, os jornalistas têm poupado a indústria das notícias ao escrutínio a que outras áreas estão sujeitas (Mesquita, 2003).[...]
- Research Article
- 10.17231/comsoc.48(2025).6334
- Dec 29, 2025
- Comunicação e Sociedade
- Julia Noia + 5 more
Os recordes na temperatura média da Terra e a reincidência de eventos extremos tornaram as mudanças climáticas agenda central de organizações internacionais e governos de todo o mundo. A crise epistêmica da ciência, em paralelo com o avanço de sistemas de crenças individuais, acende um alerta sobre a propagação de desinformação climática, sobretudo com a midiatização do cotidiano em plataformas de redes sociais. Neste artigo, analisamos os sentidos circulados em conteúdos desinformativos sobre mudanças climáticas publicados no TikTok, para identificar quais atores, recursos técnicos e estratégias discursivas foram mobilizados para reforçar narrativas acerca do tema. Com esta finalidade, recorremos a procedimentos metodológicos vindos da análise de conteúdo para examinar materiais desinformativos selecionados randomicamente no TikTok a partir das palavras-chave “mudança climática”, “mudanças climáticas” e “aquecimento global”. Foram analisados 207 vídeos. Nossos resultados evidenciam um percentual alto (71%) de materiais recortados ou descontextualizados no TikTok que recorrem a argumentos científicos ou jornalísticos para propagar factoides sobre as mudanças climáticas. Contraditoriamente, os principais vetores da desinformação são profissionais da ciência ou jornalistas (34%), cujo capital científico é mobilizado em vídeos para desinformar, com ou sem intencionalidade do protagonista. Assim, os resultados apontam que há instrumentalização da ciência e mobilização de cientistas para promover uma desordem informacional baseada em exageros quanto às mudanças climáticas e seus desdobramentos, demandando ações coletivas igualmente complexas para mitigar tais efeitos.
- Research Article
- 10.17231/comsoc.48(2025).6432
- Dec 29, 2025
- Comunicação e Sociedade
- Svea Vikander
This article examines the internal experiences of Indigenous Sámi journalists reporting on sexual violence in their homeland of Sápmi, a region spanning the Northern areas of Norway, Sweden, and Finland, and the Kola Peninsula of Russia. Drawing on interviews with nine Sámi journalists and an analysis of 30 articles from Sámi news publications, the study identifies the challenges they face in their reporting. These include their experiences of hostile work environments and a deep, almost indescribable discomfort at the prospect of encountering the subjects of their reporting in non-professional “arenas” (Clarke et al., 2018) such as grocery stores or weddings. Using situational analysis, the study explores how these challenges are also relational, situated within interacting social worlds. Although they were not explicitly asked about their own experiences of harassment, five out of six female Sámi journalists shared that they had been sexually harassed at work, some saying that this impacted their sexual violence reporting. Some of those participants felt the incidents had not affected them, while others described longstanding negative impacts on their self-esteem and recent efforts to discuss their experiences with fellow journalists. The findings point to a need for scholarly attention to the complex internal and relational lives of Indigenous journalists.
- Research Article
- 10.17231/comsoc.48(2025).6429
- Nov 25, 2025
- Comunicação e Sociedade
- Ana María Zafra Arroyo
The aim of this research is to analyse the evolution of the photographic representation of women on the front pages of the newspapers ABC and El País, based on a convenience sample of all March issues from 1977 to 1997. The research method used is visual content analysis (Neuendorf, 2017). The units of analysis were obtained from the digital newspaper archives of both newspapers, specifically the front-page archive sections. Of the 1,300 front pages examined, 242 photographs featured women. Beyond the quantitative dimension, the interpretative aspects of visual representation were also considered. This dual approach not only allows for measuring frequencies but also for understanding the cultural and ideological implications of the portrayals. The presence of women on the front pages remains a minority compared to that of men, usually not exceeding 10–15%. Results show that ABC reinforces traditional roles and the decorative representation of women, while El País highlights their political and labour presence, albeit with an emphasis on victimisation. The analysis reveals how these photographs shaped a gendered visual narrative in the press, restricting women’s visibility and recognition in political and professional spheres. Extending these findings to the present, visual stereotypes are shown to persist and to be reproduced not only in digital environments but also in artificial intelligence-generated imagery.
- Research Article
- 10.17231/comsoc.48(2025).6419
- Nov 25, 2025
- Comunicação e Sociedade
- Elena Louazon
Journalism has long been criticized for its lack of diversity, both in the newsrooms and in content production. In response, media professionals, policymakers, and even some scholars commonly assume that hiring journalists from minoritized groups would lead to a more diverse and inclusive news coverage — or, put simply, that “diverse” journalists would produce more “diversity-related” content. Yet, interviews with LGBT journalists and racialized journalists working in French-speaking Belgium call this assumption into question.Drawing on 61 semi-structured interviews, this research challenges institutional discourses that frame minoritized journalists as a solution to the lack of diversity in media content. The findings highlight three key issues: minoritized journalists feel that they have a limited influence on newsroom content due to routines and bias, their efforts to improve representation result in unpaid, unrecognized and invisible labor and they face professional risks for engaging in diversity-related work.Systemic barriers embedded within newsroom routines, editorial gatekeeping and entrenched journalistic norms significantly restrict minoritized journalists’ capacity to influence media narratives. As a result, they often find their ability to shape coverage severely constrained. Yet, pushing back against these institutionalized practices and ideological frameworks in an effort to foster more inclusive reporting demands considerable labor — labor that is frequently invisible, uncompensated, and disproportionately borne by journalists from minoritized groups. Moreover, this study reveals a distinct professional penalty associated with working on diversity. Many minoritized journalists recount being cast as biased simply for defending stories that reflect the realities of their own communities, further reinforcing their precarious position within news organizations.
- Research Article
1
- 10.17231/comsoc.48(2025).6404
- Oct 28, 2025
- Comunicação e Sociedade
- Anda Rožukalne + 2 more
Research on journalists’ safety reveals two intertwined dimensions: physical risks in conflict zones and less tangible risks to performance in comparatively safe environments. In Latvia, as elsewhere in Europe, journalists face online humiliation, harassment, hate speech, and attacks on their professional credibility. This raises two central questions: how do journalists perceive safety risks, and are media institutions equipped to provide adequate support? This paper examines the perceptions of Latvian media professionals regarding work-related safety issues and the mechanisms available to mitigate stress and risks. A mixed-methods design was applied, combining literature analysis, a two-round Delphi expert survey (25 and 23 participants from national and regional media, non-governmental organisations, and journalism-related organisations), eight semi-structured interviews with solicitors and media law specialists, case studies of court decisions, and three focus group discussions (with legal experts, media managers, and investigative journalists). The results highlight a complex threat environment in which multiple risks coexist, while support structures remain limited. Women, regional reporters, Russian-language journalists, and freelancers emerge as the most vulnerable groups, revealing safety risks shaped by both group invisibility — where their professional identities are insufficiently recognised — and concerns of invisibility — where persistent threats are normalised or dismissed. While institutional shortcomings are partly due to resource constraints and insufficient legal or psychological expertise, reluctance and reactive practices further weaken organisational responses. A lack of effective action from law enforcement and courts, combined with the rise of strategic lawsuits against public participation, reinforces a “culture of impunity”. A paradox emerges: online humiliation and harassment are omnipresent and thus routinised, making them effectively invisible despite their persistence. By contrast, cyberattacks and strategic lawsuits against public participation cases are highly visible, as they directly affect media companies’ legal and financial interests. This asymmetry of visibility exacerbates the erosion of journalists’ professional integrity and their societal role.
- Research Article
- 10.17231/comsoc.48(2025).6377
- Oct 17, 2025
- Comunicação e Sociedade
- Liliana Carona + 1 more
Num contexto de profunda crise no setor mediático e de crescente desertificação informativa em vastas regiões de Portugal, este estudo propõe um mapeamento da imprensa regional centenária enquanto expressão resiliente do jornalismo de proximidade. Através de uma metodologia mista — combinando análise documental e levantamento quantitativo — foram identificadas e analisadas 40 publicações com mais de 100 anos de existência, ainda em atividade no território nacional. O estudo examina a sua distribuição geográfica, periodicidade, formato (papel e/ou digital) e composição das direções editoriais em termos de género. Os resultados apontam para uma forte ancoragem territorial destas publicações e assimetrias regionais significativas e revelam padrões preocupantes, como a frágil transição digital, a reduzida diversidade de género nas chefias num quadro de segregação vertical e a persistente vulnerabilidade económica. Apesar dessas limitações, estes jornais continuam a desempenhar um papel relevante na preservação da memória coletiva, na coesão social e no fortalecimento da democracia local. Além disso, oferecem pistas importantes sobre práticas de resistência e adaptação que desafiam o declínio do jornalismo de proximidade. O estudo propõe, por fim, uma reflexão sobre o valor público desta imprensa e a urgência de políticas que a reconheçam como património informativo e bem comum, fundamental para garantir o direito à informação em regiões periféricas e sub-representadas.