- Research Article
- 10.5380/cra.v26i(1).95738
- Aug 21, 2025
- Campos - Revista de Antropologia
- José Luís Abalos Júnior
Neste artigo debato as ideias de cidade e classe criativa, pensadas por Charles Landry e Richard Florida como instrumento de criatividade e inovação urbana a luz de uma experiência etnográfica no Quarto Distrito de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, mais conhecido Distrito Criativo. Primeiramente trago os conceitos de cidade e classe criativa, demostrando suas aproximações e diferenças. Logo após apresento a imersão etnográfica realizada em um contexto urbano que vem sendo projetado pela administração municipal que associa o discurso da economia criativa ao do desenvolvimento territorial. Busco demonstrar o quanto a aplicabilidade destes conceitos neste universo de análise se mostrou controversa, principalmente pela crítica às ideias de empreendedorismo e aos macro projetos para a região. Por fim, trago a problemática da gentrificação, refletindo se os investimentos em criatividades urbanas podem contribuir para um enobrecimento neste território.
- Research Article
- 10.5380/cra.v26i(1).91662
- Aug 21, 2025
- Campos - Revista de Antropologia
- Helena De Morais Manfrinato Othman
Neste artigo descrevo como aspectos constitutivos das “socialidades do refúgio” conformadas em uma ocupação urbana intercultural em São Paulo e elaboradas pelas famílias de palestinos refugiados do conflito sírio, produzindo, a um só tempo, uma significação situacional para sua experiência recente no Brasil e para sua existência secular refúgio na Síria a partir da perpetuação dos palestinos no tempo, conectando passado, presente e um futuro coletivos. Com isso, almejo oferecer a um só tempo, uma visão do microcosmo social da ocupação nesse período e seus moradores palestinos, suas socialidades e modos de vida no refúgio, incluindo aí algumas formas de coletivização, como o fazer família.
- Research Article
- 10.5380/cra.v26i(1).96339
- Aug 21, 2025
- Campos - Revista de Antropologia
- Paulo André Ribas Corrêa
Este artigo analisa as ressonâncias da palestinidade entre espaços de pertencimento. Entendida como uma categoria altamente política (e politizada) busco demonstrar como a palestinidade está imbricada com múltiplas esferas de interação, desde uma perspectiva pessoal e íntima até aspectos mais amplos e comunitários. Assim, evoco uma compreensão mais dinâmica e abrangente da categoria “política”, destacando que esta inclui não apenas as práticas próprias das organizações ou instituições de representação, mas também questões cotidianas que envolvem temas profundos relacionados às relações familiares e aos modelos exemplares. A partir de duas cenas etnográficas, procuro refletir sobre como a família se estabelece como lugar primordial a partir do qual as lealdades e os repertórios políticos mais básicos são forjados.
- Research Article
- 10.5380/cra.v26i(1).91462
- Aug 21, 2025
- Campos - Revista de Antropologia
- Taisa Lewitzki + 1 more
O ensaio etnofotográfico apresenta os caminhos e movimentos das benzedeiras do centro sul do Paraná, por meio da fotografia que emergiu como ferramenta etnográfica para apreender o modo de vida das benzedeiras. O registro de práticas e lugares preponderantes para o encontro entre conhecimentos tradicionais, relações territoriais e ações políticas abordam o modo de vida das benzedeiras do interior paranaense. A partir de caminhadas, visitas e encontros, as fotos foram elaboradas no ano de 2018 durante trabalho de campo realizado com detentoras de ofícios tradicionais de cura organizadas do Movimento Aprendizes da Sabedoria (MASA) nos municípios de Rebouças, Irati e São João do Triunfo.
- Research Article
- 10.5380/cra.v26i(1).93390
- Aug 21, 2025
- Campos - Revista de Antropologia
- Jaime Santos Júnior + 2 more
Por meio de entrevistas realizadas em uma pesquisa sobre conversão religiosa, encontramos relatos de mulheres nordestinas, de áreas rurais, que migraram “sozinhas” para a região do ABC Paulista entre as décadas de 1980 e 1990. Separamos esses casos para analisar as trajetórias de migração e trabalho com a perspectiva de gênero, algo ainda escasso na literatura que se dedica ao tema. Os resultados parciais sugerem que conjugar as dinâmicas vividas no espaço privado e no espaço público expõe os agenciamentos feitos por elas para enfrentar os constrangimentos que as desfavorecem no processo de mercantilização do trabalho, restituindo a dimensão substantiva da participação das mulheres na inversão demográfica vivida pelo Brasil na segunda metade do século XX.
- Research Article
- 10.5380/cra.v26i(1).91667
- Aug 21, 2025
- Campos - Revista de Antropologia
- Bárbara Caramuru Teles
Este artigo tem por objetivo elucidar, de forma panorâmica, as comunidades palestinas no Brasil entre os finais do século XIX e durante o século XX. A análise considera as primeiras imigrações de pessoas, de maioria cristã ortodoxa, advindas do “Triangulo Cristão”, bem como as imigrações, a partir das décadas de 1950 e 1960, predominantemente composta por palestinos/as mulçumanos, oriundos de diversas regiões palestinas. As distintas comunidades, de norte a sul, leste a oeste do país, estão aqui entrelaçadas por redes de imigrações familiares e de vizinhança. As primeiras imigrações foram marcadas por uma narrativa comum, a história dos mascates, que constitui o eixo central desta análise, a narrativa mestra dessa imigração. O trabalho é fruto de etnografia multissituada realizada entre 2018 e 2023 no Brasil e perpassa as cidades de Chuí, Uruguaiana, Pelotas, Santa Maria, Santana do Livramento e Porto Alegre, Foz do Iguaçu, Corumbá, Brasília, Manaus, Natal e Recife.
- Research Article
- 10.5380/cra.v26i(1).91300
- Aug 21, 2025
- Campos - Revista de Antropologia
- Denise Fagundes Jardim
Como encontramos e tecemos a interlocução em campo com imigrantes e filhos de imigrantes palestinos? Quais as questões que priorizamos e o quanto isso reflete nossa capacidade de compreensão sobre quadros mais amplos e internacionais que os imigrantes percorrem ou já percorreram? A experiência etnográfica não é somente o que se passa em campo, mas uma exigente prática de leitura, filtragem de informações públicas, posicionamento sobre tensões políticas e compreensões sobre colonialismo e o orientalismo que atravessa nossos aprendizados sobre trajetórias de palestinos no mundo.Esse artigo experimenta o questionamento sobre as imigrações de origem árabe de hoje e de ontem. Situo essas reflexões como parte constitutiva da experiência de etnografia com palestinos no extremo sul do Brasil. As condições de entrada em trabalho de campo e o desenvolvimento de uma etnografia exigem aprendizados importantes. Demonstro que é necessária uma leitura sobre o estado da arte sobre as imigrações árabes, como vem sendo pensadas no período do início do século XX e XXI. Inicio tratando do paradigma da “mascateação” e as ilusões que essa abordagem revela. Me interessa fazer apontamentos sobre o modo como, a partir da experiência etnográfica, lidamos com a “cultura” ou “diáspora” palestina em nossos trabalhos de campo no Brasil. Trata-se de apontar que a etnografia percorre alguns “incômodos” necessários com a produção de histórias amplas e únicas que reiteram o orientalismo e desconsideram o colonialismo como algo que atravessa palestinos e desafia a própria etnografia sobre a imigração e/ou diáspora palestina.
- Research Article
- 10.5380/cra.v26i(1).97497
- Aug 21, 2025
- Campos - Revista de Antropologia
- Yves Marcel Seraphim
Embora a culinária camponesa seja frequentemente caracterizada pela qualidade artesanal do preparo dos seus alimentos, entre os colonos do Sul do Brasil é comum consumir um tipo de café moderno: o café solúvel. Comparando o trabalho de campo com os colonos e exemplos da literatura etnográfica de outros grupos camponeses, este artigo explora hipóteses que expliquem essa aparente contradição alimentar. A tese mais coerente é aquela que postula uma permeabilidade seletiva dos processos de trabalho no interior do sítio camponês. O fato de o café não ser produzido localmente pelos colonos facilita a mudança em sua forma de consumo. O artigo leva adiante o problema da autossuficiência camponesa para outros aspectos da vida social (arquitetura, mutirões, maquinário agrícola) a fim de observar a resposta às mudanças: a redefinição de limites sociais do que é ser camponês, gerando a base necessária à emergência da categoria “Agro” como englobante da vida rural. Palavras-chave: Antropologia Rural; Antropologia da Alimentação; Colonos; Trabalho; Agro.
- Research Article
- 10.5380/cra.v26i(1).96715
- Aug 21, 2025
- Campos - Revista de Antropologia
- Maria Alice Tallemberg Soares
O presente artigo explora as dinâmicas de entrega de conteúdo e as restrições impostas pelo Instagram, destacando o impacto do algoritmo da plataforma na visibilidade das postagens e a relação com o comportamento dos seguidores. A pesquisa examina a influência da geolocalização e do uso de palavras-chave na limitação do alcance de influenciadores palestinos no Brasil, identificando a presença do racismo algorítmico e a replicação de preconceitos estruturais. Através de um estudo de caso envolvendo influenciadores de origem palestina no Brasil a análise revela como a divulgação de suas viagens e conteúdos relacionados à Palestina sofrem restrições pela plataforma Instagram. Além disso, o artigo discute o uso de estratégias como a codificação de palavras e emojis para contornar essas limitações. Por fim, são abordadas as formas de violência digital, como o discurso de ódio por parte de haters, e o impacto emocional sobre os influenciadores. O estudo contribui para o entendimento das interseções entre tecnologia, política e censura nas redes sociais, ressaltando os desafios enfrentados pelos palestinos no Brasil
- Research Article
- 10.5380/cra.v26i(1).99414
- Aug 21, 2025
- Campos - Revista de Antropologia
- Rafaela Etechebere
"Um pé na cozinha" é uma expressão que atua na substituição da menção à ancestralidade negra e contribui para a invisibilização da violência sexual potencialmente presente em relações inter-raciais. Uma suposta mestiçagem trazida na imagem criada pela expressão, acaba por mobilizar um estereótipo racista naturalizado no Brasil, o estupro de mulheres negras escravizadas, que operou como uma equivalência que fundiu espaço, corpo e trabalho, num gesto de apagamento e subalternização. A cozinheira preta é essa figura presente-ausente na culinária nacional sobre a qual Taís de Sant’Anna Machado se atenta no livro Um pé na cozinha: um olhar sócio-histórico para o trabalho de cozinheiras negras no Brasil. Resultado de sua tese de doutorado em sociologia, defendida na Universidade de Brasília (UnB), a obra é conduzida por uma pesquisadora comprometida com os estudos críticos da alimentação no Brasil, em que temas como raça, gênero, classe e trabalho fundamentam a análise.