- Research Article
- 10.25187/codex.v13i2.69536
- Dec 30, 2025
- CODEX - Revista de Estudos Clássicos
- Matheus Trevizam + 1 more
Resenha de EUTRÓPIO. Breviário da história romana. Introdução, trad. e notas de Leonardo Viola. São Paulo: Madamu, 2025. 277 pp. ISBN: 978-65-86224-71-9
- Research Article
- 10.25187/codex.v13i1.69118
- Dec 23, 2025
- CODEX - Revista de Estudos Clássicos
- Samea Ghandour
A tragédia Filoctetes de Sófocles evoca o dilema ético de Neoptólemo, a bambear entre o cumprimento das ordens de Odisseu e a fidelidade ao seu próprio caráter, fazendo jus a Aquiles como modelo de nobreza. Nessa senda, o protagonista é o meio do caminho, a pedra em que os aqueus tropeçam e pisam uma vez mais, a aguardar alguma espécie de reparação e de olhar, a lhe despertarem para o atravessamento de sua narrativa traumática, algo que só ele poderá fazer por si próprio.
- Research Article
- 10.25187/codex.v13i1.68527
- Dec 23, 2025
- CODEX - Revista de Estudos Clássicos
- Cristovão José Bolzan Dos Santos Frasson + 1 more
Apresentamos as traduções das diatribes 7 e 15 de Musônio Rufo (séc. I EC), inéditas em língua portuguesa. Na diatribe 7, o filósofo estoico afirma que é preciso desprezar o sofrimento em busca da virtude. Já na diatribe 15, Musônio se posiciona contrário ao aborto e defende que tenhamos muitos filhos, o que, em sua percepção, seria bom para a cidade e estaria em consonância com os mandamentos de Zeus.
- Research Article
- 10.25187/codex.v13i1.69117
- Dec 23, 2025
- CODEX - Revista de Estudos Clássicos
- Orlando Luiz De Araújo
Édipo é uma personagem “transformada” pelo tempo e pelos sofrimentos. As mudanças não são apenas físicas, como é possível observar por meio das descrições feitas por outras personagens da tragédia, são também “interiores”, pois Édipo se torna mais moderado e sábio diante da adversidade. Apesar disso, mantém-se um homem “ressentido”, que nutre um ódio terrível por Creonte e pelos dois filhos, Polinices e Etéocles. Neste artigo, pretendo discutir – a partir do discurso de Antígona (vv. 1181-1203), em Édipo em Colono de Sófocles –, a noção de “ressentimento” e “perdão” no âmbito da relação desfeita entre pai e filho.
- Research Article
- 10.25187/codex.v13i1.69208
- Dec 23, 2025
- CODEX - Revista de Estudos Clássicos
- Maria Cristina Rodrigues Da Silva Franciscato
A tragédia Hipólito de Eurípides evidencia a arrogância do protagonista com relação a Afrodite: por ser casto, devoto e muito próximo de Ártemis, Hipólito despreza a deusa do amor. A trama acontece entre a epifania de Afrodite no prólogo e a de Ártemis no êxodo. Afrodite, desonrada por Hipólito, afirma, no início da peça, que se vingará. Faz parte de seus planos que Fedra, esposa de Teseu, esteja terrivelmente apaixonada pelo jovem enteado, o que causará a ruína de ambos. No êxodo, Ártemis declara que, por temer Zeus e sem poder interferir nos desígnios de outra divindade, foi desonrada ao permitir a morte do seu favorito. Assim, ela também se vingará, destruindo o mortal mais amado por Afrodite. No plano humano, Fedra igualmente se vingará da arrogância de Hipólito. Tais vinganças se enraízam na importância crucial da honra, para deuses e humanos, e a consequente aversão à desonra.
- Research Article
- 10.25187/codex.v13i1.69227
- Dec 23, 2025
- CODEX - Revista de Estudos Clássicos
- Vanessa Fernandes Dias
O objetivo deste texto é discutir, com base nas formulações teóricas dos Classical Reception Studies (Hardwick, 2003; Martindale, 1993, 2006), as representações de estratégias de reconciliação em textos da comédia latina antiga e da moderna brasileira. Tomando como ponto de partida a afirmação de Konstan (2010) de que os antigos não se pautavam em uma concepção de perdão conforme compreendida em nossos dias, buscarei apontar tal diferenciação por meio da análise de peças teatrais do dramaturgo romano Tito Mácio Plauto (Titus Maccius Plautus, III-II a.C.) e do brasileiro Ariano Suassuna (1927-2014). Para tanto, analisarei passagens das peças Aulularia (Comédia da Panela), Mercator (O Mercador), Miles Gloriosus (O Soldado Fanfarrão) e Persa de Plauto, bem como Auto da Compadecida e Farsa da Boa Preguiça de Suassuna. No decorrer da argumentação, tentarei evidenciar, por um lado, o contexto de produção das comédias latina e brasileira, e, por outro, aspectos constitutivos do opus poético de ambos os autores.
- Research Article
- 10.25187/codex.v13i1.69229
- Dec 23, 2025
- CODEX - Revista de Estudos Clássicos
- Ricardo Neves Dos Santos
No livro Before Forgiveness (2010), David Konstan argumenta que o conceito de perdão interpessoal não existia na antiguidade clássica. No entanto, será que a inexistência conceitual do perdão impossibilitaria a sua prática entre os gregos antigos e, mais especificamente, entre os personagens que criaram para as suas tragédias? Será que a inaptidão para perdoar contribuía de alguma forma para o desfecho trágico? Se sim, não seria isso, paradoxalmente, um indício de que os gregos da antiguidade teriam pelo menos alguma noção do que seria o perdão? São questões sobre as quais se ocupará o presente artigo.
- Research Article
- 10.25187/codex.v13i1.69121
- Dec 23, 2025
- CODEX - Revista de Estudos Clássicos
- Marco Formisano
Em duas contribuições recentes ao estudo da tragédia grega (2018 e 2023), David Konstan enfatizou a uchronie, ou seja, o convite ao leitor para imaginar possibilidades narrativas alternativas, como uma característica deste gênero específico. Partindo dessa observação, argumento que, em Hipólito, de Eurípides, Fedra acaba por ser não apenas uma personagem dentro da trama trágica, mas também sua autora, uma vez que cria uma narrativa alternativa que acaba por guiar a trama — a falsa narrativa de que Hipólito a havia estuprado. O roteiro secreto de Fedra também pode ser lido, por um lado, em conexão com a censura operada na primeira versão da tragédia de Eurípides (o Hippolytos kalyptomenos) e, por outro lado, seguindo uma sugestão de Renate Schlesier (2002), como uma reconstituição teatral dos mistérios eleusinianos, aos quais tanto Hipólito quanto Fedra estão ligados por Afrodite no prólogo da peça.
- Research Article
- 10.25187/codex.v13i1.69116
- Dec 23, 2025
- CODEX - Revista de Estudos Clássicos
- Christian Werner
No Ájax de Sófocles, a vingança desejada pelo protagonista homônimo é um elemento importante do enredo, mas tem algo de secundário, já que a ação mesma ocorre antes do início do drama e ela fracassa, pois Ájax está delirante quando acredita punir seus inimigos e não há uma segunda tentativa. Mais interessante, porém, é que a energia mesma manifestada na violência vingativa circula pela tragédia como um todo, de forma mais evidente no terço final do drama, quando são Menelau e Agamêmnon que tentam se vingar do antigo aliado e, por tabela, de seu protetor Teucro. Antes disso, porém, essa força destrutiva já está presente nos discursos do protagonista após recuperar sua consciência, incluindo-se até mesmo seu último discurso antes do suicídio. Ainda que a maioria das leituras dessa tragédia defenda a presença de um processo catártico em suas últimas cenas, sobretudo por meio da estrutura da compaixão (eleos), insiste-se aqui nas multiformas poéticas e afetivas da energia da vingança sobressair sempre de novo ao longo de toda a tragédia.
- Research Article
- 10.25187/codex.v13i1.69225
- Dec 23, 2025
- CODEX - Revista de Estudos Clássicos
- Cristina De Souza Agostini
O encômio de Aristófanes, no Banquete platônico, atribui à reparação empreendida por Zeus como resposta à soberba dos mortais, a causa para que a orientação sexual dos humanos se manifeste tal como ocorre. Assim, Eros é a divindade responsável por promover o encontro de duas metades que, originariamente, estavam juntas e, então, constituíam-se enquanto unidade. Todavia, nem todos os enlaces amorosos são moralmente adequados, ou seja, nem todo o tipo de expressão sexual é virtuosa e, desse modo, a despeito de Eros estar presente em todas as formas de amor, ao que tudo indica, a ira divina provocou maiores desgraças para andróginos e fêmeas. Nesse sentido, tendo como cenário o encômio aristofânico a Eros, analisarei em que medida a justiça de Zeus é definidora para os diferentes comportamentos entre mortais que, indelevelmente, desencadeiam as desigualdades sociais. Com efeito, ao realizar o corte, Zeus coíbe para sempre uma segunda revolta humana, pois que, ao não se reconhecerem como iguais, os indivíduos de uma sociedade não serão capazes de unir-se em prol de um bem comum, a saber, o destronamento dos deuses.