“Sô peto escuro igual o meu pai”: rastros, leituras do mundo e a construção de práticas antirracistas na educação infantil
Este artigo analisa as manifestações do racismo na Educação Infantil a partir de uma revisão crítica dos dados e conclusões de pesquisas de quatro dissertações de mestrado desenvolvidas na Rede Municipal de Educação de Santo André/SP. Com base nas categorias analíticas de “rastro”, proposta por Walter Benjamin, e “leitura do mundo”, na perspectiva de Paulo Freire, propõe-se analisar de que maneira essas instituições de Educação Infantil vêm construindo práticas pedagógicas antirracistas e compreender como os conceitos benjaminiano e freiriano podem contribuir para essa construção. Parte-se do entendimento de que o racismo constitui uma estrutura histórica, política e institucional que incide precocemente sobre as infâncias negras, produzindo marcas nas subjetividades, nas interações e nos currículos escolares. A análise de conteúdo das dissertações aponta para avanços pontuais na implementação da Lei nº 10.639/03, mas, também, evidencia desafios que persistem, como a ausência de representatividade, a superficialidade das abordagens e a insuficiência de formação docente. Defende-se que a escuta atenta dos rastros deixados pelas crianças e a valorização de suas leituras do mundo constituem caminhos potentes para o enfrentamento das desigualdades raciais e para a construção de práticas pedagógicas mais justas, dialógicas e emancipadoras.
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