Qualidade pós-colheita do cacau nativo (Theobroma cacao) na Amazônia paraense: tradição e técnica em sistemas ribeirinhos
Este artigo analisa a qualidade pós-colheita do cacau nativo (Theobroma cacao L.) cultivado por agricultores familiares ribeirinhos nas ilhas de várzea do Baixo Tocantins (PA), integrando saberes tradicionais e técnicas aprimoradas como estratégia para o fortalecimento da bioeconomia amazônica. A palavra ribeirinho deriva do latim ‘ripa’ (relativo à margem de um rio), que na região amazônica virou sinônimo de famílias ou comunidades que vivem às margens de rios e igarapés. O sustento dessas famílias se dá, em grande parte, através da agricultura familiar (cacau e açaí, principalmente), da aquisição de produtos florestais não madeireiros, como a extração de óleos vegetais como andiroba (Carapaguianensis Aubl.), copaíba (Copaifera sp.) e pracaxi (Pentaclethra macroloba (Willd.) Kuntze) e frutos nativos, além da pesca artesanal, atividades fundamentais para a segurança alimentar e geração de renda. A produção de cacau ocorre predominantemente em áreas de fertilidade natural média a alta, manejadas de forma integrada aos ecossistemas locais. A pesquisa abrangeu todas as etapas do pós-colheita, da colheita à armazenagem, com foco na avaliação de dois sistemas de fermentação (paneiro e cocho quadrado) e dois métodos de secagem (secagem na ponte e casa de secagem). Foram analisadas variáveis físico-químicas, como temperatura, pH e teor de umidade das amêndoas. Os resultados demonstraram que o cocho quadrado oferece melhores condições para a fermentação, enquanto a casa de secagem apresenta maior eficiência no processo de secagem. Conclui-se que a articulação entre práticas tradicionais e boas práticas tecnológicas contribui significativamente para a melhoria da qualidade das amêndoas, agregando valor ao produto final e promovendo benefícios socioeconômicos às comunidades ribeirinhas.