Percepções linguísticas sobre o ensino de línguas e variação linguística presentes no discurso de pedagogas da escola Santa Luzia – Acre
Esta pesquisa tem como objetivo principal revelar as crenças e atitudes linguísticas presentes nos discursos das professoras da escola Santa Luzia, localizada na comunidade Canela Fina, no município de Cruzeiro do Sul, estado do Acre. A proposta consiste em refletir sobre as percepções linguísticas existentes em torno do ensino de línguas e do fenômeno da variação linguística, buscando compreender de que maneira tais percepções influenciam as práticas pedagógicas desenvolvidas pelas docentes da referida escola. Para a análise de dados, foram aplicados testes de crenças e atitudes linguísticas com as professoras participantes. O referencial teórico-metodológico baseou-se nos pressupostos de Bortoni-Ricardo (2005), Antunes (2007), Labov (2008 [1972]), Luck (2009), Lambert e Lambert (1972), Bagno (2009), entre outros autores que discutem sociolinguística, variação e ensino de línguas. Os resultados obtidos com os testes de atitudes demonstram que as qualificadoras associadas a poder – inteligente, competente e rico – receberam avaliações mais elevadas quando associadas ao trecho representado pela variedade padrão da língua portuguesa. Isso evidencia a percepção de que o domínio da norma padrão é compreendido como um fator de ascensão social. Por outro lado, a qualificadora simpático obteve pontuações mais altas no trecho associado à variedade não padrão, revelando um vínculo afetivo positivo com essa forma de fala. Em relação ao teste de crenças, observou-se a persistência de concepções normativas e tradicionalistas, expressas na crença de que ensinar língua significa, necessariamente, ensinar a variedade gramatical normativa. Esses dados apontam para a urgência de repensar a formação docente no que tange à abordagem da variação linguística, à luz de uma perspectiva mais crítica, inclusiva e condizente com a diversidade sociolinguística brasileira.