O uso da inteligência artificial na educação brasileira: promessas e ruínas de um país dependente
Este artigo examina criticamente o lugar da Inteligência Artificial (IA) na educação brasileira, articulando-a às contradições de um país marcado pela dependência estrutural, pela financeirização das universidades e pela precarização do trabalho docente. A análise evidencia que a IA não chega como recurso neutro, mas como tecnologia que intensifica dispositivos de vigilância, padronização e captura do tempo de vida, convertendo a docência em rotina cronometrada e a aprendizagem em métrica de eficiência. Nas escolas públicas, a ausência de infraestrutura e a imposição de plataformas reduzem a experiência pedagógica a simulações de aprendizagem, enquanto nas universidades a dualidade entre centros de excelência e cursos precarizados aprofunda desigualdades, corroendo o sentido público do ensino. Adoecimento físico e psíquico, alienação material e simbólica e perda da autonomia intelectual emergem como sintomas de um modelo que transforma conhecimento em ativo reputacional e reputação em moeda acadêmica. O estudo, de natureza crítica e reflexiva, sustenta que a disputa pelo futuro da educação coincide com a disputa pelo sentido da inteligência, reafirmando a necessidade de uma ética do comum capaz de recuperar a centralidade da palavra, da criação e da liberdade.
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