O jardim da infância do pensamento
Este artigo é um recorte de uma pesquisa de mestrado que buscou pensar as potencialidades de experiências de pensamento com crianças pequenas de 5 e 6 anos. A partir de 10 sessões de rodas de filosofia, o texto acompanha o movimento de pensamentos que se expressam por gestos, imagens, silêncios e ficções, resistindo à lógica escolarizante da resposta correta. As crianças, em suas falas e escutas, inventam modos próprios de existir e aprender, revelando que pensar é também um gesto ético, estético e político. Inspirado por autores como Kohan, Foucault, Larrosa, Skliar, Malaguzzi e Vicenzi, o artigo propõe o jardim da infância do pensamento como um território das pequenas coisas – um espaço onde o invisível, o comum e o imprevisível se tornam matéria filosófica. O trabalho se desenvolve a partir de uma pesquisa participante, com base em investigações narrativas, na qual a pesquisadora é também professora da turma. O personagem Ágape – figura ficcional criada no contexto da pesquisa – participa como um interlocutor simbólico, provocando a imaginação e a escuta das crianças, e ajudando a sustentar uma atmosfera onde a dúvida e a criação têm lugar. As discussões mostram que, ao serem convidadas a filosofar, as crianças pequenas não apenas dizem o que pensam, mas também inventam modos próprios de linguagem e compreensão, muitas vezes não verbais, que transbordam o esperado e o didático. O jardim da infância do pensamento, nesse sentido, não é um lugar de preparo para o futuro, mas um território de presença, onde o pensamento se abre ao mundo com leveza, intensidade e espanto.
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