O espaço em A cabeça do santo, de Socorro Acioli: entre o espaço físico e o cultural
Levando em consideração que há uma tradição representativa do sertão nas artes brasileiras, associando este espaço ao semiárido, misticismo, entre outros estereótipos definidores, neste artigo objetiva-se analisar a representação do espaço sertanejo, como categoria temática e estrutural, no romance A cabeça do santo, de Socorro Acioli (2014). Nessa obra, observamos que o sertão cearense, espaço da narrativa, se relaciona de forma intertextual com discursos tradicionais construídos sobre um Nordeste específico (Albuquerque Júnior, 2011), em relações de continuidades e rupturas de estereótipos cristalizados. Assim, analisamos, para além dos aspectos físicos, o espaço cultural permeado pela religiosidade, representada a partir de perspectivas diversas, a saber, como cosmovisão, fanatismo e elemento tendencialmente maravilhoso. Este último, em particular, se manifesta através de episódios insólitos, relacionados à crença religiosa. Para embasar essa pesquisa, faremos uso de algumas concepções teóricas, como as de Marçal (2009), Moraes (2014), Santini (2011), Todorov (1975) e outros. Esta abordagem permite uma investigação abrangente sobre como a representação do sertão em A Cabeça do Santo contribui para discussões mais amplas sobre identidade regional, narrativas culturais e simbolismo religioso na literatura brasileira.