O ensaio como disposição: o texto acadêmico como um percurso
Neste texto, discutimos a relação entre pesquisa e escrita ensaística, fazendo um contraste entre a tendência de padronização da escrita acadêmica, uma escrita moldada por gêneros específicos, e a inserção do sujeito em seu próprio texto e em sua pesquisa, propiciada pelo ensaio. Para isso, questionamos a predominância do modelo canônico de escrita acadêmica, herdado da tradição positivista de ciência, que exclui alguns gêneros em detrimento de outros, conferindo validação científica aos textos nos quais o sujeito da pesquisa é apagado do processo de construção do conhecimento. Partindo disso, argumentamos que a escrita ensaística permite uma abordagem que reconhece que a interpretação da realidade depende do sujeito, o que vai de encontro com os ideais da ciência que busca pela “verdade”. Defendemos que é esse lugar de sujeito que permite a dúvida, a pesquisa, que está no cerne do fazer científico. Concluímos que o ensaio como disposição não deve ser visto apenas como um gênero válido para a escrita acadêmica, mas também como uma atitude a serviço do fazer do pesquisador, que nunca se separa de seu objeto de trabalho.
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