Holismo semântico moderado
Este artigo defende uma versão moderada do holismo semântico, com base na proposta de Henry Jackman. Após distinguir atomismo, molecularismo e holismo como posições fundamentais sobre o significado, o texto apresenta as origens e críticas ao holismo radical — especialmente os argumentos de Fodor e Lepore contra a tese de instabilidade. Em seguida, analisa três modelos contemporâneos que reformulam o holismo sem incorrer em seus compromissos mais problemáticos: Ted Warfield, com a noção de superveniência inferencial; Peter Pagin, ao compatibilizar holismo e composicionalidade; e Jackman, que desenvolve um contextualismo metasemântico robusto. A tese defendida é que os significados linguísticos dependem de redes conceituais e contextuais, mas sem exigir interdependência irrestrita entre todos os elementos da linguagem. O modelo de Jackman destaca-se por introduzir o peso relativo das crenças, o princípio de caridade e a expectativa de convergência interpretativa, explicando como a estabilidade semântica é preservada mesmo diante da variabilidade contextual. O artigo apresenta formalizações que modelam o significado como função de contexto e crenças, e como conjunto ponderado de inferências relevantes. Essas ferramentas analíticas são aplicadas a fenômenos linguísticos evidenciando o poder explanatório da proposta. Ao articular significado, contexto e práticas discursivas, o holismo semântico moderado emerge como uma alternativa teórica sólida e refinada para compreender a dinâmica semântica das línguas naturais.