Hibridismo na Gestão de Projetos: Desafios organizacionais na tomada de decisão, governança e institucionalização
O hibridismo metodológico na gestão de projetos tem se consolidado em diversos contextos organizacionais, impulsionado por ambientes marcados por incerteza, complexidade e pressão por inovação. Evidências recentes indicam um descompasso entre a ampliação do repertório metodológico e a capacidade organizacional de converter flexibilidade em impacto estratégico e geração sustentada de valor. Este editorial discute o hibridismo não como solução metodológica em si, mas como um fenômeno que revela limites estruturais na forma como as organizações decidem, governam e institucionalizam suas abordagens de gestão de projetos. Argumenta-se que a ausência de critérios decisórios explícitos, mecanismos consistentes de governança e processos formais de institucionalização tende a transformar o hibridismo em adaptação local fragmentada, ampliando a variabilidade entre projetos e reduzindo seu potencial sistêmico. Propõe-se, assim, o deslocamento do debate de comparações entre métodos para a análise das capacidades organizacionais necessárias à transformação de escolhas metodológicas em resultados efetivamente orientados a valor. Em última instância, o desafio contemporâneo da gestão de projetos não reside na escolha entre métodos, mas na construção de arquiteturas organizacionais capazes de sustentar decisões coerentes ao longo do tempo.