Fim de linha ou marco zero?
A relação entre Theodor Adorno e a música serial do início dos anos 1950 foi notoriamente conflituosa, levando alguns a acreditar que o filósofo não se mostrou capaz de desenvolver uma reflexão imanente a respeito da vanguarda do pós-Guerra. No presente artigo, apresentamos um retrato mais complexo da relação entre Adorno e os compositores da Escola de Darmstadt. Argumentamos que ambos estão de acordo quanto à necessidade de tomar o dodecafonismo como referência, ainda que cheguem a esta conclusão por perspectivas diferentes. Procuramos mostrar também que as interpretações divergentes da obra de Webern elaboradas pelo filósofo e pelos serialistas são na realidade estruturalmente semelhantes. Por fim, discutimos a maneira como Adorno revisou sua interpretação da obra weberniana à luz do serialismo e, ao mesmo tempo, se valeu dela em sua crítica imanente do serialismo.