Entre o cajado e o tempo
O artigo analisa a relação entre narrativa histórica, corporeidade e ancestralidade no Terno de Moçambique Zumbi dos Palmares de Uberaba (MG), destacando-o como espaço de produção de conhecimento, memória e resistência no contexto das Congadas brasileiras. Partindo da análise do poder colonial de renomear e homogeneizar identidades africanas, o estudo evidencia como, apesar do epistemicídio, grupos afrodescendentes reinventaram e preservaram tradições, ressignificando passagens históricas e mitos fundadores. A pesquisa, ancorada na autoetnografia crítica, articula a vivência do autor no Terno com observações de campo, registros e diálogos com lideranças, sendo orientada pela perspectiva da desobediência epistêmica. Os resultados apontam que a história, no grupo, é Incorporada ao corpo e às práticas rituais, configurando-se como energia viva que orienta relações comunitárias, fortalece pertencimentos e projeta futuros. Ao abordar as Congadas como Instâncias criativas e políticas, o trabalho contribui para superar leituras folclorizantes, valorizando saberes afro-brasileiros situados e transmitidos por via oral, corporal e espiritual. Submissão: 15 ago. 2025 ⊶ Aceite: 27 out. 2025
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