Earworms: Caracterizando uma imaginação musical cotidiana
Earworms, ou Imaginação Musical Involuntária (Involuntary Musical Imagery, InMI), constituem uma das formas mais difundidas da imaginação musical, designando a experiência mental espontânea com fragmentos musicais geralmente melódicos, familiares ao indivíduo e de maneira repetitiva. A terminologia InMI é imprecisa, pois pode englobar fenômenos diversos como obsessões ou alucinações, enquanto que earworms constituem uma experiência mais específica, cotidiana e não patológica, altamente prevalente, ainda que compreendida de forma incipiente. Este trabalho visa discutir (1) a literatura atual sobre o fenômeno, identificando consensos emergentes e pontos controversos, (2) certas limitações metodológicas, e (3) as interpretações generalistas correntes que associam a experiência a conceitos cognitivos correlatos. A partir de uma revisão narrativa das pesquisas teóricas e empíricas nos campos da cognição musical, psicologia e neurociências, os resultados mostram que tratar o fenômeno como mera rememoração involuntária valida alguns preditores intuitivos, como a exposição musical repetitiva e gatilhos associativos, mas obscurece nuances mnemônicas específicas à cognição musical. O artigo contribui para o entendimento interdisciplinar dos earworms, oferecendo insights sobre sua natureza enquanto uma manifestação cotidiana da musicalidade humana, indicando a existência de alguma especificidade cognitiva musical para a compreensão do fenômeno.
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