Democracia e liberdade na balsa da Medusa: reflexões teóricas sobre os ‘mares revoltos' das finanças neoliberais
O presente texto discute, partindo das concepções de mundo erigidas no âmbito da sociedade capitalista, determinações inerentes à centralidade da visão individualista liberal e suas conexões com a questão democrática. Aborda aspectos ideológicos relativos ao escopo de tal centralidade, ao passo em que objetiva apresentar os limites que tanto a concepção ideológica, quanto a dimensão mais ampla do metabolismo social, impõem contemporaneamente a efetividade concreta de uma democracia real e uma liberdade substantiva. Discute ainda o papel do Estado no âmbito do sociometabolismo capitalista e de que forma as conexões Estado-Capital-Trabalho implodem as possibilidades de ampliar o alcance democrático, e, por conseguinte, da liberdade, no âmbito do avanço do neoliberalismo, grande responsável pela desregulamentação das finanças após os limites do keynesianismo do pós-guerra para alavancar os lucros do grande capital, das limitações da acumulação capitalista no âmbito do que preconiza a lei geral da acumulação capitalista, não desconsiderando o papel que a ideologia do fim da história joga nesse contexto. Sustentando-se em números e fontes diversas demonstra que a concentração de renda e riqueza, potencializado pelo capital que opera nos mercados financeiros, tem relação direta com a corrosão da forma democrática, impedindo qualquer viabilidade para a liberdade, que não seja a liberdade de se vender como mercadoria. Conclui refletindo que a democracia efetiva e a liberdade substantiva dependem de uma ruptura como o sociometabolismo capitalista para efetivarem-se concretamente.
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