‘Dela não encontro traço’: a poética da ausência em Giorgio Caproni
O ensaio ‘‘Dela não encontro traço’: a poética da ausência em Giorgio Caproni’ investiga as articulações entre coisa perdida, objeto, traço e apagamento na obra poética do escritor italiano. Para isso, vale-se de alguns poemas extraídos dos livros O muro da terra, O franco caçador e Res amissa, traduzidos para o português e reunidos no livro A coisa perdida: Agamben comenta Caproni, além de um poema presente no livro Congedo del viaggiatore cerimonioso & altre prosopopee. Para delimitar o lugar da perda e o modo como se articulam apagamento e duração de traços, ausência de coisa e palavra poética, recorre-se ao pensamento freudiano do bloco mágico, em que o psicanalista propõe uma analogia entre o mecanismo psíquico da memória e um dispositivo de escrita. A seguir, articulam-se teorias de Maurice Blanchot a respeito da imagem poética aos poemas de Caproni, a fim de se indicar a duplicidade da imagem como elemento de conservação e apagamento do que se nomeia no poema. Por fim, a partir do pensamento de Giorgio Agamben sobre a relação entre nomeação e poesia, explicita-se o que na escrita poética de Caproni se constrói a partir da coisa perdida: a transformação do dizer em estado de perda em poema como potência de criação afirmada, sem que se exclua qualquer negatividade estruturante da palavra poética.
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