Como combater o discurso danoso: O uso de reformulações como contradiscurso

  • Abstract
  • Literature Map
  • Similar Papers
Abstract
Translate article icon Translate Article Star icon

É amplamente aceito que o discurso intolerante e preconceituoso não tem lugar na comunicação democrática. Mas, como combatê-lo? Uma resposta natural é recorrer ao contradiscurso negativo, no qual o ouvinte resistente refuta o que foi dito pelo preconceituoso; e.g., negando um estereótipo negativo, como ‘mulheres são submissas’. Ultimamente, contudo, este tipo de estratégia vem sendo tratada com certo pessimismo por parte de filósofos que ressaltam que negar estereótipos reforça sua saliência e amplifica sua influência cognitiva. Isso pode fazer com que tentativas de refutação simplesmente saiam pela culatra como contradiscurso. Além disso, também já se argumentou, contra as refutações, que é injusto exigir deveres de resistência das vítimas típicas do discurso intolerante, já que sua fala costuma sofrer com silenciamentos e/ou lacunas hermenêuticas. Meu objetivo aqui é questionar essa visão pessimista sobre o contradiscurso negativo, argumentando que responder negativamente ao intolerante continua sendo uma opção adequada, desde que o falante resistente consiga mudar a QUD (Question Under Discussion) — que representa os objetivos da conversa — ou os termos problemáticos usados na interação. Proponho que as reformulações in situ, que são respostas essencialmente negativas, constituem boas alternativas às refutações. Sustento também que as reformulações realizadas na comunicação do Estado têm menos probabilidade de serem silenciadas, o faz delas ferramentas úteis para evitar problemas relacionados a questões deônticas. Por fim, analiso um caso prático de uso de reformulação no âmbito do contradiscurso estatal.

Save Icon
Up Arrow
Open/Close