Cartografias do desalento: Schopenhauer e a ruína dos mundos futuros
Este artigo tem como objetivo examinar aspectos da conjuntura pessimista contemporânea, analisando a retomada dos debates sobre os pessimismos reprodutivos e os fundamentos do pessimismo cósmico a partir do legado filosófico de Arthur Schopenhauer. Partindo de discussões contemporâneas sobre o pessimismo de raízes schopenhauerianas, investigaremos tendências nas humanidades que respondem ao sentimento de catástrofe a partir da especulação afirmativa que busca a composição de mundos futuros como forma de reabilitação. Mostramos que as vertentes pessimistas e negativas não apenas hesitam diante dessa resposta produtiva, mas frequentemente a rejeitam, problematizando ainda as expectativas de um futuro aberto alicerçado no êxito da proliferação humana - retomando assim as reflexões seminais de Schopenhauer desenvolvidas em O mundo como vontade e como representação e no segundo volume de Parerga e Paralipomena. Defendemos que, no contexto dos debates atuais, elementos centrais do pensamento pessimista merecem ter sua lógica e argumentação rigorosamente examinados, em especial pelo modo como atualizam pressupostos schopenhauerianos.