A invisibilidade visível da Bethlehem Steel Corporation no Amapá, Brasil (1949-1984)
This study examines the paradoxical invisibility of Bethlehem Steel Corporation, a major global player, within the local context of Amapá, Brazil, from 1949 to 1984, highlighting how its significant infrastructural influence remained largely unrecognized locally, leading to the concept of visible invisibility through analysis of its global visibility, local presence, and socio-economic legacies.
A Bethlehem Steel Corporation (Besco) era a segunda maior siderúrgica do mundo quando investiu como sócio minoritário na Indústria e Comércio de Minérios (Icomi), no final da década de 1940, para explorer o manganês no então Território Federal do Amapá (TFA), Brasil. Apesar de quatro décadas de investimentos no remoto Território Federal do Amapá (1949-1984) e da fama local da Icomi e das operações de mineração de manganês, a Besco permaneceu desconhecida na região, em comportamentos de invisibilidade, e que deixou uma série de sistemas de engenharias e marcas socioeconômicas e históricas perceptíveis e visíveis até hoje. Contudo, por mais que as construções infraestruturais ocorressem pela grande influência da Besco, quem aparecia era a Icomi. Daí a origem da expressão invisibilidade visível. Este artigo visa analisar essa invisibilidade no contexto local por uma empresa de grande visibilidade no contexto internacional. Para atender a este objetivo, a questão orientadora a ser tratada é: Como se portou a invisibilidade visível de um ator global permanecer amplamente desconhecido na organização e formatação territorial do Território Federal do Amapá? Este texto é comporto por três seções: Na primeira, apresenta-se alguns ensaios reflexivos sobre globalização, ajustes espaciais, visibilidades e invisibilidades adotadas pela Besco; na segunda, apresenta-se a origem e declínio da Besco na economia mundial, a construção de sua visibilidade global e a gradual mudança de comportamento à sua visibilidade nos seus locais de investimento; na terceira, expõe-se a presença de Besco no Amapá em suas visibilidades e invisibilidades; por fim, a considerações finais.